A saudade entrou sem bater à porta,
trazia o cheiro antigo da chuva no quintal,
um retrato esquecido sobre a mesa,
e o silêncio pesado de quem parte devagar.
Sentou-se ao meu lado como velha conhecida,
falou baixinho do tempo que não volta,
das mãos que um dia seguraram as minhas
e dos olhos onde eu morava sem medo.
A noite vestiu-se de lembranças,
cada estrela parecia chamar teu nome,
e eu, perdido entre memórias e distância,
aprendi que a saudade também ama.
Porque há ausências que continuam vivas,
como fogo escondido sob a cinza fria,
e há pessoas que o coração guarda
mesmo quando o mundo inteiro as leva embora.
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