Feliz Natal

Feliz Natal

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Chamas e chagas!

Queria tanto estar por perto para me sentires
Olhar-te nos olhos sem me veres
Sorrir para ti entre as nuvens
Num calor que tarda em partir
Vento esse que barafusta
Assobia em dias de agonia
Esconde-se pela noite dentro tímido
De madrugada por entre as frinchas da janela
Abraça-me no meu imaginário
Por tudo aquilo que sonho e não consigo
Dou conta em mim no mesmo sonho
A solidão
Lentamente estendo o meu braço
Sem te acordar acaricio o teu corpo
Enroscas-te sem medo
Adormeço
Quando acordo a cama está fria
Partis-te pela penumbra ainda escondida entre portas
Aguardo a qualquer instante um toque para me levantar
Eles ali bem perto dão mais uma volta na cama
E o dia está prestes a começar
O sonho esse partiu quando senti frio
Ficou o sabor do teu beijo
Que perdurará até ao teu regresso lá pela tardinha
Depois vem mais um dia
Somente a solidão essa se agarra aos meus ossos
Como carraça na pele do cão que há muito deixou de latir
O vento de Inverno que veio de mansinho
Para acalmar um verão extenso e calorento
Sim posso por enquanto sonhar
Mas não posso dizer ao Centeno
Para não me cobrar
A solidão
De uma mão cheia de nada
Do lado de lá da rua
Sem sorrisos nem mimos
O dia vai passar

E pela janela da sala espero

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O meu...

Palavras encostadas no vento
Brisa que me refresca a alma
Solidão que sinto por dentro
Nestas noites de calma

Não consigo sonhar
Porque ele foge da minha mente
E é esse vento constante
Vai-me dando força para caminhar

Sento-me e entro nos quadros que me rodeiam
Sai das águas pelo meio
E de moinhos de outrora
Para cair no abismo do alto minha casa
E o sonho tenta entrar mas o vento não deixa
Lá ao fundo a passagem secreta
Deveras aberta
Para me levar a parte incerta
É o vento na sua bolina
Nunca desaparece

E me azucrina

quarta-feira, 19 de abril de 2017

[Dream]


Correria por entre prados verdejantes
E uns quantos amarelados
Não muito distantes
Do outro lado da rua
Com roupa semi-nua
De lantejoulas pendentes
De curvas já decadentes
Duma vida dura
Mas sempre pura
Correria entre pensamentos
Doravante instrumentos
De política de contentamentos
Sem fim feliz à vista
Entretanto na dobra da esquina
Ali mesmo afinada
Tocava uma viola
Que me entrava no ouvido
E do outro lado zunia
Era um dedilhar acrobático
Não de um momento sabático
Ou tresloucado
Era simplesmente
Maravilhoso e adormeci
E na outra vida tinha asas
Asas brancas enormes
E voava sem fim
Um sonho que perdi
Logo que bateram à porta
Era o carteiro
Das boas novas
Uma carta com letras miudinhas
Todas certinhas
E lá dentro
A tristeza de um povo
Que vive para pagar

Sem poder chorar

quinta-feira, 30 de março de 2017

Avião


Como seria se eu voasse
Para tão longe para lá do imaginário
Se as minhas asas não se derretessem 
E a minha retina deixasse 
Se eu voasse
Os meus sonhos na palma da mão
Duma vida que terminou 
Um olhar bem diferente
Salto que não dei e findou
Se eu voasse
Iria sim descobrir o mundo
Agarrar-te pela mão 
E deixar-me cair neste abismo
De olhos fechados
E sem heroísmo
Se eu voasse... 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Quarenta e sete.


De manhã pela fresquinha
Nesta casa vazia e sem ti
Ontem estava tão quentinha
Hoje estás longe e nem dormi
Amanhã o sol voltará a nascer
Com nuvens negras pelo meio
Gostava tanto ver-te adormecer
Neste ninho que é o teu leito
Eles sorriem sem saber
Que a vida dá muitos saltos
Afinal tem mesmo é de ler
Para que ultrapassem os percalços
O sol a lua o vento a tempestade
Lidamos com eles todos os dias
Mas que todos sentimos é mesmo saudade
Vão longe os anos setenta
Das brincadeiras de criança
Mais perto dos cinquenta
Mas na alma muita lembrança
Foram tranças negras de certeza
Passaram a loiras
Outras improvisadas mescladas
E por vezes até doiradas
Na mesa uma vela acesa
Um prato despido de comida
No canto do olho uma lágrima
Que escorrega só com ida

Saudade

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Quando o frio aperta.

Quando o frio aperta.

Nesta cadeira gelada por dentro
Palavras tento encontrar de alento
Para lá da janela da sala
Onde o sol não queima
E o vento esse corta
Gelado impiedoso
Sem medo do medo
Somente só
Em terras distantes
Por momentos ausentes
E de certezas duvidosas
Do que ouvimos e sentimos
Para lá do sol
Cerro os meus olhos
E distancio-me da vida
E sinto a tua voz aqui
Que me dá a força
Eles no abc da vida
O sino toca entre muralhas empedradas
Com a história da nossa vida
Caminheiros e muitas vezes escuteiros
Entre laço e o apego à vida
Essa que jamais será perdida
Poderei dizer muito vivida
Subo as escadas e procuro o teu cheiro
Que ficou nos lençóis da nossa cama
Estamos a caminho de fevereiro
E lá fora começa aparecer a lama
 Sol esse endiabrado ilumina sem aquecer
Na soleira da casa o frio é de prever
Aguardo o dia pacientemente
Que o comboio apite
E o teu sorriso apareça


[só em casa]

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Último dia.


Corri de pés molhados na areia fina do meu mar
Senti dentro de mim o vento que bolia sem parar
E no olhar duma criança que já partiu
Tempo pora ver os meus amores a respirar

Tantas e tantas ondas chocam sobre os meus pés
E continuou a percorrer este me país de lés a lés
E a palavra que se escreve ele não viu
Lá longe um dia descansará nos sopés

E na minha tumba contra a minha vontade
Na lápide que se deslumbre
Aqui se deitou nunnca mais partiu

Um fogo, coração, uma alma que arde

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

[TU]



Fui-me embora descalço pela calçada
Numa noite fria como a de hoje
E nesta melancolia abafada
Bocejo respiro e vou para longe
Como seria se estivesses entre os meus braços
No aconchego do íntimo entre nós
Antes faço um retrato a lápis e com traços
Imagino nas minhas mãos todos os prós
De cara rosada e sorriso malandro
Chegas e vês no meu olhar
A falta de um abraço e de um encanto
Sobre a cama sentimo-nos sós
Do outro lado em seu leito aninhados
Dormem como se o mundo termina-se ali
Sem chatices tormentos nem ais
Esses que vencemos demoradamente
Para que tudo não tenha o mesmo fim
O frio esse pirou-se de vez
Desceu as escadas docemente
Foi pela bolina da madrugada
E desapareceu da nossa mente
Caí cerrei os olhos e deixei-me ir
Numa barca de outros tempos
Numa manhã de nevoeira como tantas outras
Mas diferente
Estavas aqui ao meu lado

E sorris-te

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Alentejo desaparecido


Na terra cansada
Onde a enxada fura com a força do homem
Os carreiros de cultivo que o consomem
Na terra já arada
Deixa para trás horas de ardor
Debaixo de um intenso calor
Na terra sem fim
Onde se adormece de cansaço

Com pouco de água no regaço

Mar dos sonhos


Fui para dentro de uma onda
E no sufoco da minha própria agonia
Queria seguir mas não podia
Porque todo o ar me faltava
O olhar se fechava
E eu ali no meio de tanta água
Vindo de dentro unicamente pedia
Que esta água me levasse
Para fundo e que tudo acabasse
Eis que sol entrou entre a espuma branca
Me abraçou
Deixando-me tão feliz
Sempre foi o que eu quis
E para lá das dunas
Sentado como nada fosse
Um menino brincava
Esperando a minha chegada
Agarrei-o e num abraço forte
Senti de novo a vida
Foi a minha sorte

Ele esperar por mim 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Água benta para minha cura

Escrevo para adormecer sobre estes lençóis quentes dum coração pequeno que na sua pequenez se enrosca na sua própria solidão.


Vem de dentro um sopro sem mágoa
Um sussurro que embate numa parede fria
Respirar compassado fugindo para uma lagoa
Lavando depois a mãos numa grande pia
Não sei para onde vou
Nem sei se quero ir
Mas um dia se sonhou
Que talvez partiria
Almas amarguradas
Olhares
Mentes transtornadas
Revolta e lares
Belisco-me para acordar deste sonho
Procuro nas palavras soltas a solução
Nem sei se quero ir
Se fico sem coração
Onda que desejo surfar
Caminhos e passagens soberbas
Um mundo sempre a lutar
Gritos que veem das trevas
Ó mar
Revolta dos tempos modernos
Gritos abafados pela agonia
E ao longe ouve-se os compassos
Duma linda sinfonia
Caio em mim nesta cama fria
Ouve-se um ligeiro toque na porta
Salto e ela sorria
Era miragem solta
E a escuridão reaparece
Não sei se quero ir
Dos vales da minha terra
O cheiro de castanhas
O olhar da serra
E as ovelhas prenhas
Musgo verde de liberdade
Riachos de água pura
Será simplesmente saudade

Água benta para minha cura

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Vazio...


Sentir uma suave nota de música cristalina
Um dedilhar sobre cordas afinadas
Sentir no ar a saudade nunca perdida
E encontrar o sorriso na mente confinada

Este mundo onde nos encontramos na distância
Nas estradas de diferentes cores
Já lá vai o tempo da ganância
Por vezes só sentimos pequenas dores

Na mesa o lugar sempre vago
Ouvido atendo à campainha
Não passa do barulho do vizinho do lado
Crença saudade paixão amor
Tudo isso bem misturado
Numa panela sem cor

Esta vida amargurada
Criei dentro de mim mil sonhos
E outros tantos que por aí vagueiam
Por vezes até parecemos uns tontos
Mas serás sempre a minha sereia

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Olhares


A noite escura chega fria e despida
O vento assobia do lado de lá da rua
Tiro um bilhete do autocarro só de ida
Para nenhures da minha loucura

Um estalo na costela já dorida
Grito abafado com medo da agonia
Um amor que sangra de uma ferida
Da perseguição não pedida

Ai que me dói o coração
Ai que nem sei quem sou
Ai que morro pela devoção

Ai que me vou

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Estudante...


A noite essa escura e sem medo cai
Ouço passos na calçada despida
De vez enquanto lá sai um aí
Seja de dor ou simplesmente de ida

Sorrisos embrulhados com batimentos
Botas cansadas de tanto bailar
Não...hoje não há sofrimentos
É o primeiro dia vamos cantar

A música avança ruidosa e desafinada
Mas pelo meio por vezes fica afinada
Sabe-se lá onde já a ouvi
Talvez um dia que estava mais perto de mim

Dias de um estudante perdido na cidade
Ou talvez deseje ser encorajado
Para não falhar nesta idade
Em que se encontra mesmo encalhado

Vai todo de lado
Meio empenado
Ao seu lado vestido de preto
Troteia um soneto

Que em tempos nos lembrávamos e agora não

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

[A]deus Beja


O [A]deus…
Na poeira da calçada sufocam as lágrimas
Na inquietude dum coração destroçado
Na partida que se aproxima impiedosa
Na estrada que te queima a alma
Tu que resistes ao calor intenso da pradaria
Onde o branco e azul se destaca no horizonte
Entre um gaspacho fresco com carapau
Que sabe a pouco na tua ausência
Adeus Beja
Levo no coração os teus humores
Na alma algo que não conhecia
Pessoas gentes

Adeus

sábado, 14 de maio de 2016

Tardes Ribatejanas


Vento que te impede de voar
Vento que te ajuda a adormecer
Vento que trás musica de encantar
Vento e só vento
Uma tarde como tantas outras
No sossego desta casa
No emaranhado de palavras soltas
Que pouco a pouco se vaza
Procuro uma música desaparecida
Duns sons que outrora ouvira
Entre o desperta de um sonho
E dum chilrear de cotovia
Cerro os meus olhos e descanso
Ouço os passos de uma criança
Numa cadeira onde dou balanço
E no ir e vir olho a Lua e o terraço
E lá longe o mar esse manso
Uma vela empurrada pelo vento
Umas quantas azinhas pelo ar a esvoaçar
Na procura de alimento e não de lar
Esse mesmo por detrás do terraço
Onde a criança brinca e volta ao meu regaço
Nos seus cabelos lisos
Eu me revejo
Afinal já fui criança
No seu olhar meigo e maroto
Ora parado ou mesmo solto
Procura por debaixo da mesa
Um brinquedo mesmo pequeno
Mas sem medo
Tropeça e um gemido sai
Assim são as tardes no Ribatejo

Aqui mesmo por detrás do terraço

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Saudade...

Saudade

Um perfume no ar me agrada
No olhar muito mais atento
Não tenho medo de nenhuma praga
Será esse o meu desalento

Não eu sei bem o que quero
E muito bem onde procurar
Vou procurar um bolero
E dançar com o meu par

Ali ao lado os meninos pequenos
De gravata a condizer
De olhar bem arregalados
Um dia também vão crescer

Desejo um monte bem no monte
Não para me esconder
Para ser feliz e beber da fonte

E estar junto para te atender

Um lugar no monte


Um olhar no meio do nada
A ilusão do saber quase tudo
Esta tarde está bem abafada
No sótão há lençóis de veludo

Ao longe sente-se o sino a falar
Do tempo que ninguém padece
No beco há sussurrar
Da festa que o povo carece

Há momentos diferentes na vida
Olhares perdidos no ar
Viagens de uma só ida
Amores sabores a pairar

Degraus que se descem lentamente
Ao sabor desse próprio momento
Abraços afagados deliberadamente
Fugindo ao seu próprio tormento

Em cada palavra forte e segura
Duma criança que deseja brincar
No seu sorriso procura
O aval para continuar

A tarde essa avança sem parar
Só esperando os seus amores
As horas não tardam a findar

A mesa cheia de sabores

Passageiro