Número total de visualizações de páginas

terça-feira, 17 de março de 2026

QUANDO EU PARTIR

 


Quando eu partir, não chores o silêncio,
há-de o vento contar-te onde eu fiquei.
Levará no sopro leve o que fomos,
e em cada brisa dirá que te amei.

Não me procures nas sombras vazias,
nem nas horas que custam a passar.
Estarei no riso das tuas memórias,
no jeito doce de ainda lembrar.

Quando o céu se pintar de saudade,
e a noite em ti quiser morar,
ouve o vento — sou eu, de mansinho,
a tentar teu nome chamar.

Guarda apenas as boas lembranças,
como quem cuida de um jardim em flor.
Porque no tempo que nunca se apaga,
vive tranquilo o nosso amor.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Poema ao Mar

 Poema ao Mar



Mar imenso, voz antiga,
que embala sonhos e segredos,
teu azul canta à deriva
nas marés dos meus enredos.

Ondas vão, ondas retornam,
num vai e vem sem descansar,
como a vida, como o tempo,
como o amor a se buscar.

Teu perfume é sal e vento,
teu abraço é vastidão,
e em teu peito se dissolve
o silêncio da razão.

Quantas almas já tocaste?
Quantos barcos carregaste?
Quantos gritos afogados
no teu fundo sepultaste?

És espelho de um mistério,
és começo e és final,
és a prece do deserto,
és fronteira sem igual.

Mar, teu nome é liberdade,
teu destino, navegar...
e meu peito, em tempestade,
só queria te habitar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Da minha janela vê-se o mar

 


Despedida de Quarteira

Despedida de Quarteira



Deixo-te, Quarteira, com o coração cheio,
o mar ainda ecoa nas conchas do meu peito,
as ondas que embalam segredos antigos
ficam gravadas no silêncio do areal.

As gaivotas riscam o céu azul sem fim,
e o sol, que se deita devagar sobre o mar,
pinta de ouro a memória dos dias,
como se nunca quisesse apagar-se.

Levo comigo o cheiro a maresia,
o calor das tardes lentas,
o riso leve das crianças,
as ruas onde o tempo se esquece de passar.

Despeço-me, mas não parto por completo:
em cada passo fica um rastro de saudade,
em cada olhar, o desejo de voltar.
Quarteira, guardas-me sempre um lugar.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guerra

 


Guerra

Ó guerra, fera vil de mil horrores,
Que marchas sobre o chão com pés de aço,
Semeias luto, pranto e dissabores,
Rasgando o céu com teu sangrento laço.

Tua bandeira cheira a desespero,
Teus hinos são clamores de agonia.
No campo, jaz o sonho mais sincero,
Ceifado pela morte em pleno dia.

Mas crês trazer justiça à humanidade,
Enquanto ergues muralhas de opressão.
Mentiste em nome da tal liberdade,

E ergue-se o poder com vil traição.
Que a paz renasça, enfim, da tempestade,
E cale a guerra em vão seu trovão.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Entre Nós, a Distância


Poema que fala sobre a longa distância entre pessoas, transmitindo sentimentos de saudade e anseio, explorando a beleza e a tristeza que essa separação pode trazer. Esse poema pode abordar temas como amor perdido, memórias de momentos compartilhados e a esperança de um reencontro futuramente, enfatizando como a distância, embora desafiadora, também enriquece a profundidade dos sentimentos.

Entre Nós, a Distância


Entre nós há mares, há montanhas,
há silêncios longos como madrugadas,
palavras que não foram ditas,
e saudades que não pedem licença.

Teu nome ecoa nas horas vazias,
feito brisa que roça a memória,
um calor que não se apaga
mesmo longe da chama.

A distância não mede só o espaço —
mede o peso dos dias sem toque,
a ausência do olhar que entende
sem que se diga uma palavra sequer.

Mas também há força na espera,
há amor que resiste ao tempo,
feito raiz que não se vê,
mas sustenta o que floresce.

E se agora não te toco a mão,
ainda assim te tenho aqui:
em cada verso que escrevo,
em cada sonho que insiste em ti.



QUANDO EU PARTIR

  Quando eu partir, não chores o silêncio, há-de o vento contar-te onde eu fiquei. Levará no sopro leve o que fomos, e em cada brisa dirá...