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sábado, 13 de agosto de 2022

A NOSSA PRAIA

 


Entre o sol e o mar deste meu País

Nas palavras e nos sons de encantar

Em praias lindas vai desaguar o Liz

E momentos únicos de embalar

 

Foram tantos os sonhos que fizemos

Alguns ficaram mesmo dentro do lar

Muitos deles que nos propusemos

Ainda hoje procuram novo voar

 

Era terra cheiro e alegria

E os aviões ali mesmo ao nosso lado

Pela noite na praia bebia-se uma sangria

E por vezes ouvia-se tocar o fado

 

O cheiro a maresia era fatal

Era o nosso gosto a nossa viagem

Havia também dias de vendaval

Mas sempre foi a nossa paragem

sábado, 23 de julho de 2022

Música aos domingos.

 

Música aos domingos.

 

Coloco palavras sentidas neste papel que me alimenta

Com formas cores e muitos sons misturados ao vento

Depois fecho os olhos e recordo a tristeza sonolenta

Crianças com sorriso e o seu olhar de desalento

 

E nestas cordas da minha viola dedilho uns sons

Que por muito maus que sejam são o meu alimento

Destas palavras bravas com sabor e alguns tons

Dos momentos que vivemos em pleno sofrimento

 

Ali mesmo ao nosso lado do outro lado do muro

Esse fogo que se alimenta da cobardia dos homens

Ao longe foge a criança perdida no seu murmuro

Não sabe para onde ir e tem medo dos lobisomens

 

É nesse olhar inquietante que reluz para nós

A mistura do medo da tristeza e da procura

De uma mão que lhe ensine a fugir do albatroz

Esvoaçando com fome esperando a captura

 

O sol se esvaia entre fumo e nuvens negras

Deixando para trás estes sorrisos perdidos no ar

O Homem esse continua a desgraça e sem regras

Destruindo o mundo dos seus sonhos e o seu lar

 

Esperança essa que tarda tanto em chegar

Dinheiros entram nem sabemos para onde vão

Salve-se quem o pode com sacrifício o apanhar

Porque tudo o mais é sorte e pura ilusão


domingo, 10 de julho de 2022

Cravos Caídos

 


Criei uma flor nos meus sonhos sem odor

Queria que fosse minha neste mundo em fogo

Em que ninguém hoje em dia tem pudor

De desbaratar os milhões com o seu amigo

 

Lá fora a pobreza aumenta dia após dia

A fome volta a casa sem pedir licença

A mãe já não tem leite por covardia

Dum governo que nem nos trata na doença

 

São sonhos perdidos de muitos anos

Em que a liberdade tardava em chegar

Ministros e secretários muito levianos

E nós nem os podemos denegar

 

Somos dos últimos da Europa

E daqui não vamos sair

Talvez quem saiba se volta a tropa

Para nos livrar destes de decair

 

Lágrimas sonhos e os afetos

Partem sem querer mais voltar

O que vai ser dos nossos netos

Se nem vontade temos de lutar

sábado, 25 de junho de 2022

A ESPERANÇA É UM SONHO ACORDADO



Uma manhã diferente de tantas outras

No olhar levo a esperança de um povo

E um emaranhado de palavras soltas

Que muitos de vós me chamaram de tolo

 

Mas levo também muita esperança

De tempos idos em terras do Mondego

Que por demais deseje a lembrança

Adormeço neste meu sossego

 

Sonho com verdejantes arrozais

E das tardes calmas e quentes

Que por entre esses milharais

Deixei decerto algumas sementes

 

Agora a quilómetros de distância

Sinto o pulsar dessa minha gente

Possivelmente será a minha ignorância

Mas a vida faz-se correndo para frente

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Vaga de espuma branca


Acordo de madrugada com cheiro a maresia

Abro a minha janela virada para este mar

E com o olhar no horizonte tudo o que eu via

Era a faina que dia após dia me fazia levantar

 

Com os remos nas minhas mãos fortes

Lanço-me sobre ondas de espuma branca

Por momentos fico entregue às minhas sortes

Que Deus me traga vivo para terra santa

 

Costa de Lavos que te deixo por momentos

Terra que um dia vi amanhecer

Somos Homens de muitos sofrimentos

Pela arte que dia após dia vamos vencer

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Flor da Vida


Adormeço com o cheiro dos lírios do jardim

Que um dia inventei para ter só para mim

Pois nem jardim tenho nem pequeno quintal

Mas sonho com esse lugar tal e qual

Como desejo sonhar que saberei um dia escrever

Para que ao leres te sintas bem contigo mesmo

E me poderes devolver numa folha de papel

Uma palavra um verso ou um pequeno sorriso

Da janela do meu quarto que também não tenho

É grande claraboia para ver o espaço e as estrelas

Desse firmamento do meu e só meu pensamento

Que um dia sonhei que seria astronauta

Fiquei-me por tocador duma simples flauta

Que nos meus recantos de pausa mirando o mar

Julgava-me tocador encantado da serpente

Essa que vagueava sem parar na minha mente

Cerrava os meus olhos para voltar ao jardim

Sentir novamente esses odores agora de alecrim

Seria Páscoa como eu a recordava desde miúdo

Ouvindo os sinos da igreja lá da aldeia

Muitas vezes ouvi tocar para as carpideiras

Gritarem aos filhos que por lá ficavam

Longe de nós do outro lado do mar em terra alheia

Leva eu com mãos pequeninas a cruz de cristo

Depois de tantos enterrar já nem chorava

Porque as lágrimas essas já secaram

Das amarguras das tristezas e revoltas que não paravam

De chegar à minha terra natal bem fechada

São imagens da infância que ficaram

E não partem 

A MINHA RUA...