Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 31 de março de 2023

O “coro” das Velhas

 




De manhã cedinho pinturas a condizer

Espartilho preparado com sapato calçado

Sem respirar com sorrisos de amanhecer

A hora está a chegar de mirar o empregado

 

Abrem-se os botões

Dão-se umas risadas

Caem uns tostões

É dia das miradas

 

Não sendo dia de feira

Lá se vai caminhando

Há festa na eira

Em ambiente apinhado

 

Soltam-se os sorrisos

Bem mascarados

Estão noutros pisos

Bem embrulhados

 

É dia de festa

Cantam os pardais

Depois de uma sesta

Atacam os milharais

 

Um dia de risota

E algumas facadas

Vai ele de mota

Com as mãos atadas

 

Olhares perdidos

Num limbo escuro

Sons sentidos

Dum um lume puro


terça-feira, 21 de março de 2023

Poesia sem dor…

 


Poesia sem dor…

Escreveria uma poesia

Para os que partiram

Que deixaram a sala vazia

Com odor estranho

Neste coração abalado

E aqui estou eu sentado

Escrevendo corrido

Depois de ter passado

Um dia sossegado

Que não fui achado

Nem lembrado

Afinal a vida é assim

Não se necessita

Não se telefona

Fico contente

Porque não há fome

Desta janela bem alta

Vejo o mar calmo

E lá ao longe a malta

A brincar na areia

Cerro os meus olhos e salta

Há memória

A ponte que faria toda a diferença

Se não fosse a noite

Escura e sem volta a dar

E tudo seria diferente

Até a minha mente

Que se fecha dentro de si própria

Para se libertar

Escrevo para os que partiram

Porque esses já não vão voltar

Ficou a dor

E o odor desta sala vazia

Com vistas para o mar

domingo, 19 de março de 2023

PAI...

 

Pai…


No correr das palavras

Sentidas e perdidas no tempo

Dos encontros semanais

De conversas por vezes banais

Mas era o nosso momento

 

Foram tempos e sorrisos perdidos

Que ficaram na memória

Desses tempos idos

Com alguma glória

 

No correr das palavras

Que um dia tiveram luz

Ficam aqui lavradas

Foi mesmo a nossa cruz

 

Nunca amou os seus (1)

Com olhares desconfiados

Todos deveriam ser plebeus

E entre muros confinados

 

Praça vazia

Rio sem vida

Palavras com azia

De torre envolvida

Terra árida

Pensamentos no momento

Festas e festarolas

Com sabores ao vento

Até um dia

Pai

(1) Montemor-o-Velho

quarta-feira, 8 de março de 2023

Abri um livro...

 


As palavras estavam ali

No meu olhar a esperança perdida

Os sentimentos que vagueiam

A luz que me ilumina

Nesta estrada

Nesta vida

E folha após folha

Histórias de encantar

Quem sabe se as inventei

Ou simplesmente

Lhes dei vida

E escondido entres as palavras

Um pássaro esvoaçou

Assustei-me

E uma a uma as pequenas letras

Tomaram a liberdade de voar

E acompanhar o bailado desse pássaro

Que assutado me olhava sem saber

Para onde ir

Contrui com novas letras frases

Um poema

Esse foi o meu dilema

Voltei a prender o pássaro

Que tinha conquistado

A liberdade


MULHER...

 


·        Mulher

Entre palavras que o vento as leva

De pregões na boca do povo

Olhar de uma Mulher

Regaço do conforto

No calor de um olhar

 

Sorriso desprendido

Coração bondoso

Mas nunca esquecendo

Aquele tenebroso

Que tudo nos leva

 

Afinal em corpo de serpente

Por vezes até mente

Não a Mulher

Mas a sua mente

Mulher capaz da criação

De lutar pelo seu rebento

Até que a morte a separe

Mas não esquecendo

Do seu calor afinal

Numa cama fria

Na escuridão da noite

 

Mulher de lutas infernais

Com tantas virtudes

Mas nunca te iludas

Do que ela é capaz

Nos momentos difíceis

Em guerra ou em paz

 

Não sei como nasceu este dia

Nem sei o bem lhe faz

Mais comercial

Sorrisos aos molhos

Flores de um dia

Doces diferentes

Em cores avermelhadas

 

Mulher capaz

Mulher bonita

Mulher fugaz

Mulher onde estás

 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

A SOMBRA DO CASTELO

 


O sol neste dia de alegria e paixão

Num misto de surpresas e ilusão

Onde areia reluz na minha mão

E os meus poucos cabelos se vão

 

Mas sorrio eu só e esta visão

Lá longe onde o céu beija o chão

E as palavras me dão comichão

Só de falar sinto compaixão

 

Aperto ligeiramente o meu blusão

Não sinto mais a desilusão

De ter deixado uma terra sem solução

Em banhos num rio em forma de ablução


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

PORTUGAL ARDER

 


Criei dentro de mim fantasia

Um mundo cheio de boa gente

Mas neste momento uma tal azia

De político corrupto e tão complacente

 

São notícias de maus-tratos

Das contas deste nosso País

São uma ninhada de ratos

Que muitos outros atraís

 

Corre mal não sabem nem ouviram

Fogem para longe a sete pés

Só empurrados é que saíram

Mereciam uns belos pontapés


Levam na mala os milhões

Roubados a um povo faminto

Mereciam levar com os aguilhões

Ou metidos dentro de um recinto

 

São palavras são pregões

Que se ouvem neste Portugal

Devido a todos estes ladrões

E ao seu momento conjugal

 

Nada sabem

Todos mentem

Mesmo que cumprimentem

Fazem que as revoltas aumentem

Neste Portugal descontente

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

O MEU HORIZONTE

 


Vagas de fúria e raiva atacam o paredão

Em manhãs sem sol e de muito frio

Levo o meu filho bem seguro pela mão

Para sentir essa brisa com este calafrio

 

A espuma branca na copa das ondas

O baloiçar da barca ali ancorada

As gaivotas dão voltas bem redondas

Aguardando por uma nova alvorada

 

E neste banco de madeira feito a jeito

Sentamo-nos fixando arrebentação

Coloco a mão no meu peito

E sinto o palpitar do meu coração

 

São águas são ventos e pensamentos

O recordar os tempos de criança

E ambos sorrimos por momentos

Sem saber se o amanhã nos traz esperança

 

Por fim levantamo-nos e seguimos o trilho

Que lhe chamarei de Liberdade

Eu levo pela mão o meu filho

Voltamos de novo à cidade

 

As luzes acendem-se à chegada

E o céu fica todo estrelado

Vamos deixar a nossa pegada

E um bom ano para esse lado

sábado, 14 de janeiro de 2023

MEU FADO

 


Corri em direção ao rio 

Que me alimenta a alma 

Me tira este meu frio 

A saudade de tarde calma 

Junto de ti  

Eu sorrio 

 

Nas margens cobertas de verde 

No horizonte com o teu castelo 

Na estrada onde se perde 

Tristezas sonhos do velho do restelo 

Junto de ti  

Sorrio 

 

Vagueo pelas palavras perdidas 

Das tardes tão bem passadas 

Tento sarar algumas feridas 

Que me queimam e estão repassadas 

Junto de ti 

Sorrio 

 

O peixe desapareceu 

E com ele a faina de outrora 

Quem foi que enriqueceu 

Para voltar a tirar água da nora 

Junto de ti 

Sorrio 

 

Neste velho Marinheiro 

Onde me sento e sinto 

Esta brisa e soalheiro 

De um Mendes que minto 

Junto de ti 

Sorrio 

ENTRE MAR...