Grito que é grito de fome ou de raiva
Do coração ou na busca de pão
Continua a ser de dádiva
E sem satisfação
Doi por dentro
Queima por fora
Não é passatempo
E soa a qualquer hora
Fome raiva e sofrimento
Chuva que cai atravessada
Tudo foi em detrimento
Quem manda e é empossada
Fugi de mim mesmo em momentos
Cavalguei em loucas pelas crias
Agora sigo sossegado pelos tempos
À beira-mar em noites frias
Chorei lágrimas salgadas
Estremeci ao sentir a tua voz
Muitas preces revogadas
Ou simplesmente um porta-voz
Grito o mais alto possível
Para ouvir a minha agonia
De um ser bem desprezível
Que anda por aí em plena via