Número total de visualizações de páginas

42215

sábado, 19 de março de 2022

Amo-te

 

Escrevi faz tempo muito tempo duas palavras

Entre elas havia simplesmente um traço

Que as perdi por isso sinto este embaraço

De as reescrever novamente sem máscaras

 

Sinto a escorrer lentamente com sabor a mar

Sem pressas porque te perdi faz tempo

Tantas guerras e discussões com alento

Que hoje sinto falta desse semear

 

No olhar havia uma vida bem presente

Davas-me a tua sabedoria todos os dias

Orientações e muitas lições sadias

Agora sinto falta por estares ausente

 

Amo-te seja onde estiveres sentado

Como diria o poeta alentejano deitado

Porque já esteve mais longe o reencontro

Mas hoje sinto-me (des) orientado

domingo, 13 de março de 2022

Viagem ...


Viajei em sonhos pelos campos despidos de gente

Arregacei as mangas da camisa que suei por dentro

Levei no pensamento a liberdade da minha mente

Palmilhei ruas vielas avenidas e fui até ao centro

 

Vi ali mesmo no jardim os utensílios de outrora

De homens e mulheres que deram o seu melhor

Ali perto junto a um valado os restos de uma nora

Que dava de beber ao gado ao campo e ao senhor

 

Dei voltas nesta terra de muitos alfaiates

Que se perderam com o tempo na solidão

Ainda hoje alguns mandam uns bitaites

Lembrando ferros que se alimentam a carvão

 

Levo na mão caneta e muitos sonhos

Que desejo encontrar aqui bem perto

Muitas histórias lendas nos propomos

a contar para ficar conosco bem desperto 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Espuma Branca


Imagem: Shutterstock

 

O sol coloca-se no horizonte sorridente

Nesta manhã que acorda lentamente

O voo da gaivota sobe até poente

Deixando sobre areia a espuma reluzente

 

A varina apressa-se para faina do dia

Apregoando com sons bem definidos

A sardinha o carapau e a enguia

Passando pela lampreia com sons tinidos

 

Ali ao lado na esperança do sintético

A juventude treina no pelado

Anda tudo cada vez mais elétrico

Já ninguém aguenta estar calado

 

Perguntamos à sociedade viva

O porquê desta distância

Nas eleições aparecem e siga

Mas a pedra está com relutância

 

Os seus Homens de rugas queimadas

Da faina da dureza do tempo

Foram tempos de vidas ceifadas

Venham agora outro passatempo

 

Sentado mirando o mar

Sem agonias dos tempos idos

Abraço o neto e o seu olhar

No firmamento de dias vividos        


 Poema ao Mar por Luiz Pessoa 11/03/2022

VIDA


 (Fotografia de Amin Chaar/Global Imagens)


Queria tanto sorrir neste dia

Sem maleitas de outros tempos

Amigo esse sim queria

Palavras soltas de outros ventos

 

Consegui juntar amor com carinho

Abraço com sofrimento

Tudo corre devagarinho

São os tempos do momento

 

Falamos do antigamente

Com o sorriso no olhar

E muito levemente

Da vida da terra e do Mar

 

São palavras que se esvoaçam

Na barca que nos leva a vida

Sem faina sem vela amordaçam

O sonho por nós sentida

terça-feira, 8 de março de 2022

Frio da Terra Nova

imagem

Do documentário "Faina maior, a pesca do bacalhau". RTP/ Garden Films, http://ensina.rtp.pt/artigo/faina-maior-pesca-bacalhau/

Olhar negro de tão negro que é

A vida dura da pesca

Seja de barco ou mesmo a pé

 

Perdi as horas dias e anos

Que por aqui andei sem me lembrar

Dos barcos que partiam com os seus panos

 

Levavam à partida a saudade

Da família que deixavam

Alguns de berço outro na mocidade

 

No horizonte preparavam os aparelhos

Reparavam os dóris

E ouviam os mais velhos

 

Fumavam o seu cachimbo

E habituavam-se ao sino

Estavam entregues ao destino

 

O mestre dava ordem de baixar

Não antes de sortear

Não fosse dar azar

 

Eram horas e horas de solidão

Na luta com esse mar gelado

Nem gaivotas voavam

 

Era eu só com o meu Deus

Quem sabe qual deles

E o meu perdão

Mulher Esposa e Mãe

Sinto-me como se estivesse no regaço de minha mãe

Sentindo cada chinelada como um beijo que me dava

Que por vezes só ela chorava

Partiu mas deixou-me o seu olhar da vida

As dificuldades sofridas

E o querer vencer

 

Mesmo nas dificuldades que foram muitas

Me tapava com cobertor quentinho

Dava-me um beijo antes de partir

Bem cedo pela borda do campo e eu sonhava

Na areia fina da espuma do mar

E esse cheiro a maresia que ali havia

 

Como era lindo este mar bravo

Para mim na minha paz era calmo

Segui-a os barcos com o olhar

E ali de fronte lançando os aparelhos

Era faina que dava suores e muitas alegrias quando havia

Encostada na barca na areia esperava sem canseira a mulher

 

Que partia bem cedo de canastra na cabeça

Para um mercado da sua vida

Subia e descia a rua apregoando a sardinha fresquinha

Era mulher esposa e mãe

Tudo junto para quem tem

Um sorriso de sofrimento nesse momento

 

Era gente que na dureza do trabalho

Ainda tinha vontade de cantar

Lavar e de lutar

De lenço tricolor quando o homem estava em casa

Que logo virava a negro na despedida

De uma lágrima que sempre caía

 

Com o seu filho ao colo e outro ali ao lado

E mais abaixo o mais velho com ar de patrão

Numa casa onde faltava tudo até o pão

Vida dura esta de mulher esposa e mãe

Bendito seja para quem ainda a têm

 

O sino toca na igreja da vila

O vento assobia e a chuva a chegar

Nada impedia rezar uma Avé Maria

A todos os santos nesse dia

 

A chegada do barco que o trazia

São e salvo dos seis meses de faina

O meu Zé o primo Manel o António nosso vizinho

Que agora iria ver o menino

Que nasceu na sua ausência

 

Vida dura de mulher esposa e mãe

Metade do ano como pai

Na dureza desta vida que aqui se vivia

Tão perto do mar

Felizes ficávamos ao seu chegar

Uma mirada de relance

Uma lágrima que cai

Um soluço abafado

Pela chegada do Pai

segunda-feira, 7 de março de 2022

VIAGEM

Viagens às minhas terras

Correrias por areias finas

Descalço de calças arregaçadas

Neste rio que foi meu

 

Não queria partir

Porque foi aqui que comecei a sorrir

Forças me levaram a admitir

Que o meu amor é teu

 

Voltei em sonhos e caminhadas diferentes

Em sabores de outrora do que te sentes

Por favor não me tentes

O infinito será o céu

 

Escrevo porque me sinto bem

Nesta fuga do passado também

Na memória que se tem

Distante da que se perdeu

 

Acharás tu na tua verdadeira certeza

Que isto que eu escrevo é miudeza

Para mim simples pureza

De alguém que me deu

 

São palavras soltas ao vento

Menos de um milhar mais de um cento

Serás sempre o meu catavento

Por esse que sou eu

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

CAVALO BRAVO

 

Cavalo bravo

Transparente e rebelde

Olhar meigo e selvagem

Cavalo bravo

De correrias nesse verde

Por essa longa paisagem

Cavalo bravo

Tanta felicidade

Me dás liberdade e coragem

Cavalo bravo

Dás-me tanta saudade

Na tua própria tempestade

Cavalo bravo

Sinto perto de ti estabilidade

Nessa linda pelagem

Cavalo bravo

Da minha nação

Onde o escuro é emoção

E o negro solidão

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

P1

 

[PENSAMENTO]



A ferocidade do sabichão que respalda na arena

Que se imagina rei sem coroa em plena cena

Escondido por detrás de uma cortina visível

De um colonialismo desaparecido e miserável

 

Cai em si sem sentir o desprezo de quem vê

 

Comete constantemente o mesmo erro

Dos lambe botas da corte escondida

Nem em terras dos Filipes havia um perro

Do veneno de uma cobra ofendida

 

Nos corredores descobrindo o que lê

 

Ajuda quem não merece

Faz-se importante sem o ser

Chego a pensar que padece

De algo que não desejo dizer

 

Jerico com livros na albarda

Doutor que saiu de fininho

Não vale nada sem a farda

Valha-me Deus tocou o sininho

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

QUERIA TANTO...

  •  
  • ·        Queria tanto…
  • ·        Fechar os olhos e sumir para sempre deste lugar
  • ·        Sentir a brisa do mar no meu corpo e mergulhar
  • ·        Nas trevas dos incompreensíveis
  • ·        Que se julgam mais além dos possíveis
  • ·        Meio de viver e de amar
  • ·        Queria tanto…
  • ·        Sorrir para todos vós que me olham com desdém
  • ·        Seja aqui perto ou mesmo mais além
  • ·        Todos eles reconhecíveis
  • ·        E de certa forma bem amáveis
  • ·        Mesmo longe de casa longe do lar
  • ·        Queria tanto…
  • ·        Adormecer novamente no ventre da minha mãe
  • ·        Sonhar sim sonhar com dias melhores para quem têm
  • ·        Alegria e sonhos lindos dentro de si
  • ·        Sem desdenhar o do alheio para ti
  • ·        E juntos contruir um novo lar

sábado, 10 de julho de 2021

Poema com pigmentações.

 

Escrevo porque sinto essa vontade

Dos sentimentos e dos sabores da vida

São as palavras que movem a Liberdade

E sinto que não foi uma vida perdida

Tenho amigos de todas as cores de todas as raças

Sinto que fui bafejado pela gratidão

Liberto-me isso sim destas mordaças

E atiro as correntes ao chão

No sorriso do cansaço

Num final de dia de exaustão

Na nossa mesa ou no regaço

Julgo que cumprimos a missão

Somos todos diferentes

Somos todos pela mesma causa

Alguns muitas vezes ausentes

Mas sentimo-nos bem nesta pausa

Deus pátria e família

Desígnios de outros tempos

Vai agora um chá de tília

Esperemos por novos ventos


Nota: Dedico ao Grupo de Trabalho do Adriana


ENTRE MAR...