Sei que palavras escrevo no sofrimento
Nas histórias tantas vezes contadas
Nestas ruelas encardidas devido ao tempo
Numa eira cheia de saudades aladas
Que hoje recordo a minha mocidade
Batia-lhe o vento na tarde escaldante
A passarada esperava atenta seu tempo
E os movimentos sincronizados da gente
Que se movia durante o seu passatempo
Na espera do sino e da sua sonoridade
Por fim descansava comendo a bucha
Embrulhada no pano colorido na cesta
Aproveitando para olhar a pequerrucha
Que dormia ali ao lado a sua sesta
E olhava a tua beleza com promiscuidade
Rapidamente voltávamos ao trabalho
Porque o sol esse ainda estava alto
A passarada lá se mantinha no seu galho
Chilreando como fosse rolinha-do-planalto
As mulheres cantavam a sua religiosidade
Finalmente o sol desaparecia no horizonte
Entre os montes da Abrunheira
Era hora de levar o cântaro à fonte
Acender o lume e libertar da canseira
Apagar o candeeiro e entrar na cumplicidade
O vento assobia a sua música preferida
O frio entrava rapidamente e já se sentia
Na pele despedida de roupa uma ferida
E as rugas de um tempo duro que não fugia
Foi assim o tempo da minha mocidade