Número total de visualizações de páginas

quinta-feira, 30 de abril de 2026

1º de Maio

             


 

No primeiro de maio, o sol desponta,

E em cada mão há força que constrói,

No suor que a dignidade afronta,

Ergue-se o mundo que o trabalho foi.


São vozes firmes, ecoando em luta,

Tecendo o pão, a estrada e a canção,

Na lida diária, a esperança bruta

Floresce viva em cada coração.


Que nunca falte o justo reconhecimento,

Nem se apague o valor de quem faz,

Do campo à fábrica, em todo intento.


Que o tempo honre o labor que nos refaz,

E neste dia, mais que um momento,

Celebre-se o trabalhador e sua paz.

sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril

 25 de Abril

Na noite calada, sem aviso,
ergueu-se um sonho indeciso,
pelas ruas de Lisboa a correr,
um povo inteiro a renascer.

Silêncio preso em tantas vozes,
anos guardados, tempos ferozes,
e de repente — a madrugada,
trouxe a esperança libertada.

Ao som de Grândola, Vila Morena no ar,
começou um novo despertar,
sem gritos de guerra ou dor,
mas com cravos vermelhos em flor.

Soldados e povo lado a lado,
um país inteiro acordado,
quebraram-se muros, caiu o medo,
nasceu abril, livre e cedo.

E desde então, em cada ano,
vive esse gesto soberano,
de nunca mais voltar atrás,
de ser livre — e querer mais.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ausênsia

 

Quando a aragem quente
me chega aos lábios cansados,
traz um frio estranho —
não de inverno,
mas de ausência.

É o vento que já te tocou,
que já dançou nos teus cabelos,
e agora me encontra vazio,
como quem perdeu o rumo
no meio do teu nome.

O calor já não aquece,
arde sem luz, sem chama,
porque o teu riso não mora aqui
para incendiar os meus dias.

E assim, longe de ti,
até o verão se engana:
sopra morno,
mas no peito
faz-se inverno.

 

Amizade

 


Amizade é luz que não se apaga,

mesmo quando a noite é mais escura.

É mão estendida sem pedir nada,

é riso solto, é calma, é cura.

 

É estar presente no silêncio,

sem precisar explicar a dor.

É dividir o pão e o segredo,

é celebrar cada pequena vitória.

 

Amigo verdadeiro não conta os dias,

nem mede o tempo em favores feitos.

Ele chega sem aviso, sem armadilhas,

e fica, mesmo quando o mundo é estreito.

 

É o abraço que não precisa de motivo,

a palavra certa no momento exato.

É saber que, no meio do vendaval da vida,

alguém segura firme o teu barco.

 

Que a amizade seja sempre assim:

pura, sincera, sem disfarce ou fim.

Pois quem tem um amigo de verdade

carrega um pedaço do céu dentro de si.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CASTELO DE MONTEMOR-O-VELHO


           No alto ergue-se o tempo em pedra fria,

Guardião de memórias e de vento,
Onde o Mondego, em branda melodia,
Reflete o céu num lento movimento.

 

Das muralhas ecoa a voz sombria
De um passado de glória e sofrimento,
E cada torre guarda a nostalgia
De um reino antigo, em firme juramento.

 

Olhar o castelo é ver a história
Gravada em cada fenda, em cada chão,
É dar ao silêncio antiga memória.

 

Ali repousa a alma da nação,
Entre ruínas vive eterna glória,
No peito aberto de quem vê com o coração.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Os horizontes - Montemor-o-Velho

 Nos campos largos de Montemor-o-Velho,

onde o tempo caminha devagar,

desliza o velho Rio Mondego,

como um segredo que insiste em ficar.https://images.openai.com/static-rsc-4/lVNFPSIarz2WgtxaPFEf8WLx3ak8uUg5HqkA-L19oc-dYKXZSJa9nDrfasyF-k9ImsYC5wn2jqOwfl4eLfVIBknBL3CyLEdcX9XJ9m44hm3PrcvhJBzXalI2mssHyCH_3eCF9bTzxwxt4oVG1LqJSDF2b4MZblp-Ij9O8u98HkBbuM8g5g_rXixyvUFI00Tx?purpose=fullsize

Espelho de céu e de memórias,
o rio canta em voz serena,
leva histórias de outrora
e murmura a alma pequena.

Nos arrozais do Baixo Mondego verdejantes,
o vento dança devagar,
entre águas e horizontes,
há um silêncio a respirar.

Garças brancas pousam leves,
como versos por escrever,
e o sol deita ouro breve
sobre a terra a florescer.

Em Montemor, tudo é tempo,
feito de água, luz e chão—
um poema aberto ao vento,
um sonho em cada estação.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Entre o Céu e a Serra

 

Entre o Céu e a Serra

 

No alto da serra, onde o céu se deita,
o vento sussurra uma canção perfeita.
Corre entre pedras, beija o arvoredo,
leva consigo segredos sem medo.

 

O azul se abre em infinito manto,
pintando silêncios, acalmando o pranto.
E ali, perdido entre nuvem e chão,
nasce o teu nome no meu coração.

 

O vento te chama em cada passagem,
traz teu sorriso na sua viagem.
E eu, na serra, de alma aberta ao ar,
aprendo contigo o verbo amar.

 

Se o mundo pesa, subo sem pressa,
procuro-te onde o horizonte começa.
Pois sei que o amor, leve como o vento,
vive no céu e em cada momento.

terça-feira, 17 de março de 2026

QUANDO EU PARTIR

 


Quando eu partir, não chores o silêncio,
há-de o vento contar-te onde eu fiquei.
Levará no sopro leve o que fomos,
e em cada brisa dirá que te amei.

Não me procures nas sombras vazias,
nem nas horas que custam a passar.
Estarei no riso das tuas memórias,
no jeito doce de ainda lembrar.

Quando o céu se pintar de saudade,
e a noite em ti quiser morar,
ouve o vento — sou eu, de mansinho,
a tentar teu nome chamar.

Guarda apenas as boas lembranças,
como quem cuida de um jardim em flor.
Porque no tempo que nunca se apaga,
vive tranquilo o nosso amor.


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Poema ao Mar

 Poema ao Mar



Mar imenso, voz antiga,
que embala sonhos e segredos,
teu azul canta à deriva
nas marés dos meus enredos.

Ondas vão, ondas retornam,
num vai e vem sem descansar,
como a vida, como o tempo,
como o amor a se buscar.

Teu perfume é sal e vento,
teu abraço é vastidão,
e em teu peito se dissolve
o silêncio da razão.

Quantas almas já tocaste?
Quantos barcos carregaste?
Quantos gritos afogados
no teu fundo sepultaste?

És espelho de um mistério,
és começo e és final,
és a prece do deserto,
és fronteira sem igual.

Mar, teu nome é liberdade,
teu destino, navegar...
e meu peito, em tempestade,
só queria te habitar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Da minha janela vê-se o mar

 


Despedida de Quarteira

Despedida de Quarteira



Deixo-te, Quarteira, com o coração cheio,
o mar ainda ecoa nas conchas do meu peito,
as ondas que embalam segredos antigos
ficam gravadas no silêncio do areal.

As gaivotas riscam o céu azul sem fim,
e o sol, que se deita devagar sobre o mar,
pinta de ouro a memória dos dias,
como se nunca quisesse apagar-se.

Levo comigo o cheiro a maresia,
o calor das tardes lentas,
o riso leve das crianças,
as ruas onde o tempo se esquece de passar.

Despeço-me, mas não parto por completo:
em cada passo fica um rastro de saudade,
em cada olhar, o desejo de voltar.
Quarteira, guardas-me sempre um lugar.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guerra

 


Guerra

Ó guerra, fera vil de mil horrores,
Que marchas sobre o chão com pés de aço,
Semeias luto, pranto e dissabores,
Rasgando o céu com teu sangrento laço.

Tua bandeira cheira a desespero,
Teus hinos são clamores de agonia.
No campo, jaz o sonho mais sincero,
Ceifado pela morte em pleno dia.

Mas crês trazer justiça à humanidade,
Enquanto ergues muralhas de opressão.
Mentiste em nome da tal liberdade,

E ergue-se o poder com vil traição.
Que a paz renasça, enfim, da tempestade,
E cale a guerra em vão seu trovão.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Entre Nós, a Distância


Poema que fala sobre a longa distância entre pessoas, transmitindo sentimentos de saudade e anseio, explorando a beleza e a tristeza que essa separação pode trazer. Esse poema pode abordar temas como amor perdido, memórias de momentos compartilhados e a esperança de um reencontro futuramente, enfatizando como a distância, embora desafiadora, também enriquece a profundidade dos sentimentos.

Entre Nós, a Distância


Entre nós há mares, há montanhas,
há silêncios longos como madrugadas,
palavras que não foram ditas,
e saudades que não pedem licença.

Teu nome ecoa nas horas vazias,
feito brisa que roça a memória,
um calor que não se apaga
mesmo longe da chama.

A distância não mede só o espaço —
mede o peso dos dias sem toque,
a ausência do olhar que entende
sem que se diga uma palavra sequer.

Mas também há força na espera,
há amor que resiste ao tempo,
feito raiz que não se vê,
mas sustenta o que floresce.

E se agora não te toco a mão,
ainda assim te tenho aqui:
em cada verso que escrevo,
em cada sonho que insiste em ti.



sábado, 9 de agosto de 2025

Poema sobre o Sofrimento Humano

 


A travessia da dor entre sombra e esperança

Primeiro ato: O nascimento do sofrimento

No princípio, a vida surge envolta em mistério,

Na face do ser, o traço frágil do tempo.

Do ventre ao mundo, o choro é já presságio

De uma trilha feita de incerteza e de vento.

Desde o primeiro olhar à luz, há dúvidas

Que se espalham pelo corpo e pela mente,

Como rios que nunca cessam o seu fluxo,

Como nuvens que encobrem o sol nascente.

O sofrimento humano não tem hora marcada,

Vem sutil, como névoa sobre a madrugada,

Ou irrompe como tempestade inesperada,

Arrancando raízes e lares, sem nada avisar.

É a ausência, é o medo, é o vazio no peito,

É o grito abafado, a lágrima sem respeito,

É o silêncio que ecoa, intransponível leito

Onde naufraga a esperança sem jeito.

Segundo ato: A multiplicidade da dor

Cada indivíduo carrega o seu fardo secreto,

A dor se veste de mil formas, mil nomes,

Vai do lamento sussurrado ao pranto discreto,

À angústia que nunca encontra onde se esconde.

Há quem sofra no corpo, e quem sofra na alma,

Há dores que se arrastam por anos sem calma,

Há perdas que dilaceram, há culpas que inflamam,

Há sonhos despedaçados que nunca mais se embalam.

O sofrimento das multidões, estampado nos rostos,

É o retrato de guerras, de fome, de exílio,

É o peso dos muros, das cercas, dos postos,

É o abandono, o desprezo, o desabrigo.

Há quem tema o futuro, quem se prenda ao passado,

Quem se perca no labirinto do presente,

Quem busque por sentido, por abrigo sagrado,

Quem só encontre o frio de um mundo indiferente.

Terceiro ato: O ciclo do sofrimento

A dor é ancestral, percorre séculos e eras,

Constrói monumentos, destrói pontes, acende feras.

É filha da perda, irmã do medo e da espera,

Companheira fiel das horas mais severas.

Em tempos de peste, a humanidade estremecida,

Viu nos olhos da morte a sua própria ferida,

E no seio da dor, buscou guarida,

Até que o tempo, lento, curasse cada vida.

O sofrimento é também poesia, é arte que se gera,

É a canção do exílio, é o quadro de uma era,

É o verso tímido, a mão que desespera,

É palavra que consola, mesmo quando impera.

Quarto ato: Resistência e esperança

Mas por entre ruínas, brota a promessa:

Mesmo quando tudo parece perdido, há quem persista.

A dor ensina — à força, à coragem, à nobreza,

A cada queda, há um recomeço à vista.

No olhar de quem sofre, um brilho resiste,

A esperança é semente que nunca se extingue.

Por entre lágrimas, alguém insiste

Em plantar amanhã onde o hoje não distingue.

O sofrimento une os que na vida tropeçam,

É ponte invisível sobre abismos profundos.

Em cada gesto de empatia, os corações se aquecem,

Fazendo do humano o mais belo dos mundos.

Quinto ato: A travessia

A jornada é longa, a estrada é incerta,

O sofrimento é sombra, mas também é lanterna.

Ele ilumina o caminho de quem desperta

Para o valor da vida, à margem da caverna.

Em cada história narrada, em cada rosto marcado,

Há uma lição que se desenha, um destino traçado.

O sofrimento humano é um livro inacabado,

Em cujas páginas há dor, mas também há abraço.

Os poetas cantam o sofrer

Não por deleite, mas por entender

Que na dor se revela o ser,

E na superação, o renascer.

Sexto ato: O eco da humanidade

Quando o sofrimento se alastra pelo mundo,

É preciso escutar seu eco mais profundo.

Nas ruas, nos campos, nos céus sem fundo,

Há vozes que clamam por um segundo.

Que seja de consolo, de presença, de abrigo,

Que seja de compaixão, de partilha, de amizade.

Que não se ignore o que está contigo,

Que não se negue o valor da dignidade.

A grandeza da humanidade está em não negar

Que todos sofrem, que todos querem amar.

Que há beleza em tentar aliviar

O peso do outro, o medo de naufragar.

Sétimo ato: O sofrimento e a esperança

Por fim, que se saiba: o sofrer não é o fim,

É passagem, é gesto, é busca por jardim.

No terreno árido, cresce o capim,

E onde há dor, há também clarim.

O sofrimento humano é chama e é luz,

É sombra que ensina, é estrada que conduz

A um amanhã onde tudo reluz,

E o coração, enfim, se traduz.

·        Que a dor seja ponte para a empatia,

·        Que o sofrimento se transforme em poesia,

·        Que a humanidade encontre harmonia,

·        Na travessia entre a sombra e a alegria.

E assim, a jornada continua, entre lágrimas e sorrisos — pois todo sofrimento é também oportunidade de revelar a grandeza oculta no ser humano.

1º de Maio

                No primeiro de maio, o sol desponta, E em cada mão há força que constrói, No suor que a dignidade afronta, Ergue-se o mundo...