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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Rosas Vermelhas

 Rosas Vermelhas

No jardim onde a aurora se derrama,
nascem rosas de intenso rubro encanto;
guardam no peito o perfume e o pranto,
como um segredo antigo que se chama.

Cada pétala acende viva chama,
cada espinho protege o doce canto;
e o vento, ao carregá-las pelo campo,
leva o amor que em silêncio se proclama.

Rosas vermelhas, símbolos da paixão,
tingem de sonho a tarde passageira,
e aquecem com ternura o coração.

Mesmo quando chegar a primavera
ou quando se calar a última canção,
seu brilho viverá na alma inteira.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Passeio no jardim

 

Passeio no jardim



Caminho devagar pelo jardim,
onde a manhã desperta em flor,
o vento canta baixinho para mim
e o sol espalha seu calor.

Entre folhas verdes e jasmins,
vejo borboletas a dançar,
passarinhos fazem seus clarins
num concerto pelo ar.

A fonte conta segredos antigos,
a grama abraça meus pés,
e os pequenos amigos
são as flores, uma a uma, de uma vez.

No jardim encontro paz,
um lugar de sonho e encanto,
onde a natureza sempre traz
um sorriso em cada canto.

domingo, 17 de maio de 2026

QUANDO A SAUDADE ENTRA SEM BATER.

 A saudade entrou sem bater à porta,

trazia o cheiro antigo da chuva no quintal,

um retrato esquecido sobre a mesa,

e o silêncio pesado de quem parte devagar.


Sentou-se ao meu lado como velha conhecida,

falou baixinho do tempo que não volta,

das mãos que um dia seguraram as minhas

e dos olhos onde eu morava sem medo.


A noite vestiu-se de lembranças,

cada estrela parecia chamar teu nome,

e eu, perdido entre memórias e distância,

aprendi que a saudade também ama.


Porque há ausências que continuam vivas,

como fogo escondido sob a cinza fria,

e há pessoas que o coração guarda

mesmo quando o mundo inteiro as leva embora.

terça-feira, 12 de maio de 2026

O Encontro dos Versos

No silêncio que o olhar revela e cala,

Onde o tempo se perde em mansidão,

O sopro de um carinho logo exala

A força que domina o coração.

 


Há uma luz que de Isabel emana,

Como o brilho do sol no amanhecer,

Uma graça que a alma logo afana

E ensina o que é, de fato, o bem-querer.

 

E nesse rastro firme e generoso,

Marçalo escreve a sua própria linha,

Com um passo seguro e cauteloso,

Fazendo da sua mão a guia minha.

 

São nomes que o destino quis unidos,

Num laço que a distância não desfaz,

Dois corações em um só recolhidos,

Buscando no amor a mesma paz.

 

Pois amar é o encontro e o intervalo,

A rima que o destino enfim fiel,

Traz no peito a coragem de Marçalo

E a doçura infinita de Isabel.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

1º de Maio

             


 

No primeiro de maio, o sol desponta,

E em cada mão há força que constrói,

No suor que a dignidade afronta,

Ergue-se o mundo que o trabalho foi.


São vozes firmes, ecoando em luta,

Tecendo o pão, a estrada e a canção,

Na lida diária, a esperança bruta

Floresce viva em cada coração.


Que nunca falte o justo reconhecimento,

Nem se apague o valor de quem faz,

Do campo à fábrica, em todo intento.


Que o tempo honre o labor que nos refaz,

E neste dia, mais que um momento,

Celebre-se o trabalhador e sua paz.

sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril

 25 de Abril

Na noite calada, sem aviso,
ergueu-se um sonho indeciso,
pelas ruas de Lisboa a correr,
um povo inteiro a renascer.

Silêncio preso em tantas vozes,
anos guardados, tempos ferozes,
e de repente — a madrugada,
trouxe a esperança libertada.

Ao som de Grândola, Vila Morena no ar,
começou um novo despertar,
sem gritos de guerra ou dor,
mas com cravos vermelhos em flor.

Soldados e povo lado a lado,
um país inteiro acordado,
quebraram-se muros, caiu o medo,
nasceu abril, livre e cedo.

E desde então, em cada ano,
vive esse gesto soberano,
de nunca mais voltar atrás,
de ser livre — e querer mais.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ausênsia

 

Quando a aragem quente
me chega aos lábios cansados,
traz um frio estranho —
não de inverno,
mas de ausência.

É o vento que já te tocou,
que já dançou nos teus cabelos,
e agora me encontra vazio,
como quem perdeu o rumo
no meio do teu nome.

O calor já não aquece,
arde sem luz, sem chama,
porque o teu riso não mora aqui
para incendiar os meus dias.

E assim, longe de ti,
até o verão se engana:
sopra morno,
mas no peito
faz-se inverno.

 

Amizade

 


Amizade é luz que não se apaga,

mesmo quando a noite é mais escura.

É mão estendida sem pedir nada,

é riso solto, é calma, é cura.

 

É estar presente no silêncio,

sem precisar explicar a dor.

É dividir o pão e o segredo,

é celebrar cada pequena vitória.

 

Amigo verdadeiro não conta os dias,

nem mede o tempo em favores feitos.

Ele chega sem aviso, sem armadilhas,

e fica, mesmo quando o mundo é estreito.

 

É o abraço que não precisa de motivo,

a palavra certa no momento exato.

É saber que, no meio do vendaval da vida,

alguém segura firme o teu barco.

 

Que a amizade seja sempre assim:

pura, sincera, sem disfarce ou fim.

Pois quem tem um amigo de verdade

carrega um pedaço do céu dentro de si.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CASTELO DE MONTEMOR-O-VELHO


           No alto ergue-se o tempo em pedra fria,

Guardião de memórias e de vento,
Onde o Mondego, em branda melodia,
Reflete o céu num lento movimento.

 

Das muralhas ecoa a voz sombria
De um passado de glória e sofrimento,
E cada torre guarda a nostalgia
De um reino antigo, em firme juramento.

 

Olhar o castelo é ver a história
Gravada em cada fenda, em cada chão,
É dar ao silêncio antiga memória.

 

Ali repousa a alma da nação,
Entre ruínas vive eterna glória,
No peito aberto de quem vê com o coração.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Os horizontes - Montemor-o-Velho

 Nos campos largos de Montemor-o-Velho,

onde o tempo caminha devagar,

desliza o velho Rio Mondego,

como um segredo que insiste em ficar.https://images.openai.com/static-rsc-4/lVNFPSIarz2WgtxaPFEf8WLx3ak8uUg5HqkA-L19oc-dYKXZSJa9nDrfasyF-k9ImsYC5wn2jqOwfl4eLfVIBknBL3CyLEdcX9XJ9m44hm3PrcvhJBzXalI2mssHyCH_3eCF9bTzxwxt4oVG1LqJSDF2b4MZblp-Ij9O8u98HkBbuM8g5g_rXixyvUFI00Tx?purpose=fullsize

Espelho de céu e de memórias,
o rio canta em voz serena,
leva histórias de outrora
e murmura a alma pequena.

Nos arrozais do Baixo Mondego verdejantes,
o vento dança devagar,
entre águas e horizontes,
há um silêncio a respirar.

Garças brancas pousam leves,
como versos por escrever,
e o sol deita ouro breve
sobre a terra a florescer.

Em Montemor, tudo é tempo,
feito de água, luz e chão—
um poema aberto ao vento,
um sonho em cada estação.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Entre o Céu e a Serra

 

Entre o Céu e a Serra

 

No alto da serra, onde o céu se deita,
o vento sussurra uma canção perfeita.
Corre entre pedras, beija o arvoredo,
leva consigo segredos sem medo.

 

O azul se abre em infinito manto,
pintando silêncios, acalmando o pranto.
E ali, perdido entre nuvem e chão,
nasce o teu nome no meu coração.

 

O vento te chama em cada passagem,
traz teu sorriso na sua viagem.
E eu, na serra, de alma aberta ao ar,
aprendo contigo o verbo amar.

 

Se o mundo pesa, subo sem pressa,
procuro-te onde o horizonte começa.
Pois sei que o amor, leve como o vento,
vive no céu e em cada momento.

terça-feira, 17 de março de 2026

QUANDO EU PARTIR

 


Quando eu partir, não chores o silêncio,
há-de o vento contar-te onde eu fiquei.
Levará no sopro leve o que fomos,
e em cada brisa dirá que te amei.

Não me procures nas sombras vazias,
nem nas horas que custam a passar.
Estarei no riso das tuas memórias,
no jeito doce de ainda lembrar.

Quando o céu se pintar de saudade,
e a noite em ti quiser morar,
ouve o vento — sou eu, de mansinho,
a tentar teu nome chamar.

Guarda apenas as boas lembranças,
como quem cuida de um jardim em flor.
Porque no tempo que nunca se apaga,
vive tranquilo o nosso amor.


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Poema ao Mar

 Poema ao Mar



Mar imenso, voz antiga,
que embala sonhos e segredos,
teu azul canta à deriva
nas marés dos meus enredos.

Ondas vão, ondas retornam,
num vai e vem sem descansar,
como a vida, como o tempo,
como o amor a se buscar.

Teu perfume é sal e vento,
teu abraço é vastidão,
e em teu peito se dissolve
o silêncio da razão.

Quantas almas já tocaste?
Quantos barcos carregaste?
Quantos gritos afogados
no teu fundo sepultaste?

És espelho de um mistério,
és começo e és final,
és a prece do deserto,
és fronteira sem igual.

Mar, teu nome é liberdade,
teu destino, navegar...
e meu peito, em tempestade,
só queria te habitar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Da minha janela vê-se o mar

 


Despedida de Quarteira

Despedida de Quarteira



Deixo-te, Quarteira, com o coração cheio,
o mar ainda ecoa nas conchas do meu peito,
as ondas que embalam segredos antigos
ficam gravadas no silêncio do areal.

As gaivotas riscam o céu azul sem fim,
e o sol, que se deita devagar sobre o mar,
pinta de ouro a memória dos dias,
como se nunca quisesse apagar-se.

Levo comigo o cheiro a maresia,
o calor das tardes lentas,
o riso leve das crianças,
as ruas onde o tempo se esquece de passar.

Despeço-me, mas não parto por completo:
em cada passo fica um rastro de saudade,
em cada olhar, o desejo de voltar.
Quarteira, guardas-me sempre um lugar.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guerra

 


Guerra

Ó guerra, fera vil de mil horrores,
Que marchas sobre o chão com pés de aço,
Semeias luto, pranto e dissabores,
Rasgando o céu com teu sangrento laço.

Tua bandeira cheira a desespero,
Teus hinos são clamores de agonia.
No campo, jaz o sonho mais sincero,
Ceifado pela morte em pleno dia.

Mas crês trazer justiça à humanidade,
Enquanto ergues muralhas de opressão.
Mentiste em nome da tal liberdade,

E ergue-se o poder com vil traição.
Que a paz renasça, enfim, da tempestade,
E cale a guerra em vão seu trovão.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Entre Nós, a Distância


Poema que fala sobre a longa distância entre pessoas, transmitindo sentimentos de saudade e anseio, explorando a beleza e a tristeza que essa separação pode trazer. Esse poema pode abordar temas como amor perdido, memórias de momentos compartilhados e a esperança de um reencontro futuramente, enfatizando como a distância, embora desafiadora, também enriquece a profundidade dos sentimentos.

Entre Nós, a Distância


Entre nós há mares, há montanhas,
há silêncios longos como madrugadas,
palavras que não foram ditas,
e saudades que não pedem licença.

Teu nome ecoa nas horas vazias,
feito brisa que roça a memória,
um calor que não se apaga
mesmo longe da chama.

A distância não mede só o espaço —
mede o peso dos dias sem toque,
a ausência do olhar que entende
sem que se diga uma palavra sequer.

Mas também há força na espera,
há amor que resiste ao tempo,
feito raiz que não se vê,
mas sustenta o que floresce.

E se agora não te toco a mão,
ainda assim te tenho aqui:
em cada verso que escrevo,
em cada sonho que insiste em ti.



Rosas Vermelhas

  Rosas Vermelhas No jardim onde a aurora se derrama, nascem rosas de intenso rubro encanto; guardam no peito o perfume e o pranto, com...