Procurei nas prateleiras baús e gavetas
Nada encontrei de mãos dada ou cavalito
Que na figueira se fotografa ali mesmo ao lado
Do relógio sempre bem aperaltado
Tenho na memória o cachimbo
De barba preta
Depois branca
Lá no Norte no Moderno
No centro no Ponto de Encontro
De mãos dadas só rebuscando
Deve ser da idade que vai passando
Recordo o olhar o saber
O andar e quando partiste amargurado
Porque abandonaste muitos sonhos
Dos incompreendidos tanta gente
Todos eles se foram contigo
Naquela tarde amena
De dores de pensamentos e agonia
Hoje descanso aqui neste sofá
Olhado a barba negra que fugia
E dirijo-te um pequeno olá
Porque sinto deveras pena
É o nosso dia como se não fossem todos
Mas a alegria de receber o telefonema
Que no ano passado há mesma hora deixei
Recebemos forças nesta tarde amena
Aqui bem perto do mar bem serena
A areia o sol e vento
Rodopiam os cataventos
Nas chaminés brancas na serra
Fecho os meus olhos e viajo
Nesse fumo com cheiro a terra
Perto de ti que um dia vou encontrar
Nuvens brancas e músicas celestiais
Sobre um tapete de cores diversas
Nem sei bem se são persas
Possivelmente não
Mas viajo com o mesmo ticket
Do ano passado será cliché
Que em nada melhorou
Mas cheiro um assado
Que o meu olfato cheirou
Tenho de acordar
A fome vai-me matar
Até já