Sem olhar para outro
lado
Na madrugada fria de
inverno
Embrulhado em
cobertores
Para não sentir as
minhas dores
Mas fixo o teu olhar
por momentos
E deixo-me navegar nas
tuas águas
Nem por nada sinto os
sofrimentos
Somente os dias belos
sem mágoas
Queria voltar a subir
de olhos fechados
Segurando a certeza
firme das tuas mãos
Depois na varanda bem
aconchegados
Vendo como brincam os
irmãos
Na distância deste
sonho perdido
Da viagem que há muito programada
Quem sabe se esse é o
nosso destino
Sonhar e estar ao lado
da pessoa amada
Não sou barqueiro nem
barco tenho
Sou sonhador de
palavras e música
Vamos amealhando algum
dinheiro
E festas algumas por
vezes muito lúdicas
Os sinos dobram
anunciando a partida
Da procissão que sai do
átrio
Ao dobrar da esquina
fica retida
A senhora que chora ali
no pátio
Perdeu o seu ente
querido
Lágrimas secas de tanto
chorar
Perdeu a vida estava
muito ferido
De uma guerra que não
vai parar
Assim segue o padre
pelas ruas da aldeia
Cantando e rezando pelos
filhos da terra
As gentes essas que seguem
em alcateia
Rezam bem alto que se
ouve lá serra