Vagas de fúria e raiva atacam o paredão
Em manhãs sem sol e de muito frio
Levo o meu filho bem seguro pela mão
Para sentir essa brisa com este calafrio
A espuma branca na copa das ondas
O baloiçar da barca ali ancorada
As gaivotas dão voltas bem redondas
Aguardando por uma nova alvorada
E neste banco de madeira feito a jeito
Sentamo-nos fixando arrebentação
Coloco a mão no meu peito
E sinto o palpitar do meu coração
São águas são ventos e pensamentos
O recordar os tempos de criança
E ambos sorrimos por momentos
Sem saber se o amanhã nos traz esperança
Por fim levantamo-nos e seguimos o trilho
Que lhe chamarei de Liberdade
Eu levo pela mão o meu filho
Voltamos de novo à cidade
As luzes acendem-se à chegada
E o céu fica todo estrelado
Vamos deixar a nossa pegada
E um bom ano para esse lado