Quadro de Silêncios e Mar
Pintei um quadro de silêncios e mar,
Com as cores dos sonhos perdidos,
Onde o vento insiste em murmurar
Palavras de amores esquecidos.
A serra, distante, contempla o infinito,
A chuva desenha saudades no chão,
E o mar, num lamento tão bonito,
Guarda segredos do coração.
Há olhares que ficam suspensos,
Entre as ondas e a imensidão,
Há abraços que vivem intensos,
Mesmo ausentes da nossa mão.
Na Figueira, o horizonte é poesia,
Onde o céu se confunde com o mar,
E a alma, perdida em nostalgia,
Procura alguém para amar.
O vento percorre a praia deserta,
Trazendo memórias de uma paixão,
E a noite, de estrelas coberta,
Desenha o teu rosto na solidão.
Há silêncios que dizem tanto,
Há distâncias que sabem doer,
Há amores escondidos no pranto,
Que nem o tempo consegue esquecer.
E fico a olhar este mar profundo,
Onde os meus sonhos vão navegar,
Como se não existisse mais mundo,
Para além deste eterno esperar.
Se um dia a saudade tiver cor,
Será azul como o mar ao luar,
E se o silêncio falar de amor,
Será a tua voz que irei escutar.
Porque neste quadro de vento e maresia,
Entre a serra, a chuva e o luar,
Ficou pintada a nossa poesia,
Num amor que o tempo não soube apagar.
E assim permanece o meu quadro… sem moldura, sem tempo, sem fim. Apenas o silêncio, a saudade e o imenso mar da Figueira da Foz.

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