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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O nosso quadro...


Gostava de pintar um quadro

Mas nem tela tenho

Vou fazer um quadrado

Vou pensar primeiro

Um risco fino

Depois um mais grosso

Mas afinal qual deles em primeiro

Serei apontado pelos finos

Se os colocar depois

Logo gritam os grossos

Este o meu dilema

Ou será oposição

Que diz sempre o que não fez

Depois de ficar sem a razão

Volto ao meu quadrado

Mas vou-lhe abrir uma porta

Para que aí fique guardado

O coração da minha sorte

Como é lindo olhar para ele

De porta aberta para toda a gente

E sabes quem mora ali à frente

As nossas mães

Que nasceram num Outono

Frio de ranger o dente

Por isso são fortes

As mães de outrora

Como é bom o que se sente

Um grito de alegria

Sabes porque

Porque hoje é o nosso dia

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sons das palavras


Cada palavra tem uma cor um som

Dentro de mim como um ruído incisivo

Sempre que as lias sem saber o seu tom

Lá fazia eu um pequeno desvio


Mas leio com os olhos bem abertos

Nesta janela virada para mundo

Não fosse eu ler poemas descobertos

Na tela pintada mesmo lá no fundo


Com os olhos ainda fundeados

Nas palavras essas com tantos sons

Quando os leio fico desnorteado

Não sei se é pelos finos tons


São negros de um negro escuro

Como se chuva estivesse para vir

Tento dar-lhe um brilho e decoro

Para que lá no fundo possa sorrir


Mas esta lágrima teima em tombar

Sem que lhe tenha dado permissão

Continuo a ler a saga ali mesmo no bar

Mas lá no fundo vou-lhe dar a mão


Cada palavra um safanão

Cada linha um abanão

No final se não dermos a mão

Tudo tomba e ficamos no chão

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mudança dos tempos...



Foi no olhar que senti o teu amor
Essa tua forma de estar com a vida
Nas palavras que escreves com ardor
E muitas vezes ficas deveras comovida

Por vezes sinto o teu respirar
E passeias pela tua infância
Como é bom sempre a recordar
Foram bons os dias de criança

Nos passeios até ao rio
Nas idas à praia de Espinho
Lá vinha um pouco mais de frio
E novamente a escola do povinho

Era ali bem perto hoje nova
A escola de outros tempos
Aprendia ou levava uma sova
Diria que hoje são passatempos

Mudanças dos tempos modernos
Onde o aprender ocupa espaço
Mais vale vestir uns bons ternos
E nunca experimentar andar descalço

Criança que fomos nesses tempos
A pé íamos todos os dias à escola
Hoje de carro faltam aos tempos
E ainda não precisam de pedir esmola

Outras formações outras vontades
Que o tempo nos vai ensinar
São as modernices das Liberdades
No final vamos ver quem vai buzinar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um Beijo...



Carrego no meu pranto
A saudade
E no meu manto
A Liberdade
Que me faz voar
Sem nunca parar
Como pássaro
Sem lei
E tudo o que farei
Por ti desejo
Ao meu jeito
Um beijo

Amor...



Fujo de mim sem saber para onde vou
Sinto a pele gelada nem sei quem sou
Corro no tempo sem grande vontade
Mas amo-te isso é a grande verdade

No cantar do meu fado
Ao longo deste meu mar
Muitas vezes ele é malvado
Mas ambos sabemos nadar

São trevas são chuvas
Tudo isto em movimento
Vinho faz-se das uvas
Amor do sofrimento

Canto I



Tantas e tantas vezes subo sem cair
Outras tantas que me sinto tonto
Rogo-te que me leves quando partir
Para onde nunca mais tenha um pranto

Uma dor que me invade a mente
Um sabor que foge sem o sentir
Caminho nas palavras livremente
Por isso choro e sinto-me a ir

Nas tuas mãos coloco o coração
No teu olhar os meus sonhos
Nem sei que tipo de oração
Escolho para estes restolhos

Procuro e busco sem fim
Escrevo para ter essa certeza
Que todos os dias terei um sim
Com determinação e firmeza

Mas afinal porque este canto
Se o tempo nunca vai parar
Também é verdade não sou santo
Mas que te adoro em bom adorar

O nosso vento...



Canto para ti minha amada
Um canto que sempre adorei
Foi estar sempre ao teu lado
E sonhar que nunca te deixarei

Todos em correria até ao fundo
Do lado da cama do lado do mar
Mas como família bem juntos
Num barco à vela a navegar

Vamos por ai fora para outras paragens
Com as velas bem desfraldadas
Aproveitando o vento e as aragens
Fugindo destas almas depenadas

Segura na tua mão este sonho
Leva contigo o nosso amor
Aqui agora te proponho
A viagem com muito sabor

sábado, 1 de maio de 2010

MÃE...


Escrevo-te minha mãe neste dia

Um dia diferente de tantos outros

Se não fosse sábado era alegria

Alegria por ser o teu dia

Dia teu de teres sido mãe

Mãe agora não chores hoje

Que vou estar contigo já a seguir

E levo comigo uma flor

Que me faz tão feliz e a sorrir

Numa mão bem apertada

Levo a minha amada

Na outra o menino homem

E no meio o teu neto

Junto da flor que apanhei

Mesmo ali ao virar da esquina

Na Ti Joaquina

Porque neste dia eu sonhei.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Canção aos meus filhos… LAFGF

Filhotes voces que estão desse lado

Que um dia vão ler o que vos deixo

Não tenhais medo estarei já selado

Já não vou estar cá e não me queixo

Podem sempre falar comigo

Dizer-me o vosso segredo

Mesmo juntinho do meu ouvido

Pois estou já surdinho

E ver já me custa

Tem de vir de mansinho

Olha o tempo está a justa

Levo comigo as palavras

Gravadas no coração

LAFGF estarão ali a mão

Nessa altura deitado

E vocês todos ao meu lado

Tu ai ó mais velho

Olha pelos teus irmãos

Poderia dar-te um conselho

Nunca larguem as vossas mãos

Pirilampo

Quero tanto ficar sem medo

Tanto como é o meu segredo

Que me levanto bem cedo

Escrevendo o meu próprio enredo

O vento

A tempestade da sentença

O alento

De um braço com crença

O abatimento

Da criança à nascença

Tudo isto me vem à mente

No corrupio avassalador

Que até por vezes fico doente

E sinto uma forte dor

A dor

Junto do arvoredo

O fervor

Que me levam ao degredo

O apedrejado

Que fico sem medo

A terra que vê a sua semente

Crescer nos trilhos do campo

Por onde passa a gente

E de noite vagueia um pirilampo

Fado I



Um olhar perdido no tempo
Canção que faz chorar uma guitarra
Por vezes são puros os demais lamentos
Como a canção de uma pobre cigarra

No dedilhar pelas cordas firmes
Um olhar que não se vê nada
Contam-se histórias e alguns crimes
Da nossa sociedade abalada

E nas vielas tão encardidas
Dos passos que por lá vão
Já foram tantas as mordidas
Dos mosquitos pela solidão

E passo a passo desço a calçada
Em tom apressado com medo do som
Ouve-se o trinar da guitarra
E uma voz rouca que lhe dá tom

Fico na espreita na esquina do lado
Nem sei se entre na sala da vela
Á porta um Homem parece soldado
Que namorisca a sopeira à janela

Estende a roupa com sorriso matreiro
Deixa cair algo que logo corre apanhar
Na janela tem um grande letreiro
Precisa-se de mulher para trabalhar

Casa solarenga de brasão nas costas
Vidros quadrados de muitas cores
Sai a senhora toda bem composta
Vai ouvir Fado e sentir os sabores

ENTRE MAR...