Número total de visualizações de páginas

42216

quarta-feira, 8 de março de 2023

MULHER...

 


·        Mulher

Entre palavras que o vento as leva

De pregões na boca do povo

Olhar de uma Mulher

Regaço do conforto

No calor de um olhar

 

Sorriso desprendido

Coração bondoso

Mas nunca esquecendo

Aquele tenebroso

Que tudo nos leva

 

Afinal em corpo de serpente

Por vezes até mente

Não a Mulher

Mas a sua mente

Mulher capaz da criação

De lutar pelo seu rebento

Até que a morte a separe

Mas não esquecendo

Do seu calor afinal

Numa cama fria

Na escuridão da noite

 

Mulher de lutas infernais

Com tantas virtudes

Mas nunca te iludas

Do que ela é capaz

Nos momentos difíceis

Em guerra ou em paz

 

Não sei como nasceu este dia

Nem sei o bem lhe faz

Mais comercial

Sorrisos aos molhos

Flores de um dia

Doces diferentes

Em cores avermelhadas

 

Mulher capaz

Mulher bonita

Mulher fugaz

Mulher onde estás

 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

A SOMBRA DO CASTELO

 


O sol neste dia de alegria e paixão

Num misto de surpresas e ilusão

Onde areia reluz na minha mão

E os meus poucos cabelos se vão

 

Mas sorrio eu só e esta visão

Lá longe onde o céu beija o chão

E as palavras me dão comichão

Só de falar sinto compaixão

 

Aperto ligeiramente o meu blusão

Não sinto mais a desilusão

De ter deixado uma terra sem solução

Em banhos num rio em forma de ablução


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

PORTUGAL ARDER

 


Criei dentro de mim fantasia

Um mundo cheio de boa gente

Mas neste momento uma tal azia

De político corrupto e tão complacente

 

São notícias de maus-tratos

Das contas deste nosso País

São uma ninhada de ratos

Que muitos outros atraís

 

Corre mal não sabem nem ouviram

Fogem para longe a sete pés

Só empurrados é que saíram

Mereciam uns belos pontapés


Levam na mala os milhões

Roubados a um povo faminto

Mereciam levar com os aguilhões

Ou metidos dentro de um recinto

 

São palavras são pregões

Que se ouvem neste Portugal

Devido a todos estes ladrões

E ao seu momento conjugal

 

Nada sabem

Todos mentem

Mesmo que cumprimentem

Fazem que as revoltas aumentem

Neste Portugal descontente

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

O MEU HORIZONTE

 


Vagas de fúria e raiva atacam o paredão

Em manhãs sem sol e de muito frio

Levo o meu filho bem seguro pela mão

Para sentir essa brisa com este calafrio

 

A espuma branca na copa das ondas

O baloiçar da barca ali ancorada

As gaivotas dão voltas bem redondas

Aguardando por uma nova alvorada

 

E neste banco de madeira feito a jeito

Sentamo-nos fixando arrebentação

Coloco a mão no meu peito

E sinto o palpitar do meu coração

 

São águas são ventos e pensamentos

O recordar os tempos de criança

E ambos sorrimos por momentos

Sem saber se o amanhã nos traz esperança

 

Por fim levantamo-nos e seguimos o trilho

Que lhe chamarei de Liberdade

Eu levo pela mão o meu filho

Voltamos de novo à cidade

 

As luzes acendem-se à chegada

E o céu fica todo estrelado

Vamos deixar a nossa pegada

E um bom ano para esse lado

sábado, 14 de janeiro de 2023

MEU FADO

 


Corri em direção ao rio 

Que me alimenta a alma 

Me tira este meu frio 

A saudade de tarde calma 

Junto de ti  

Eu sorrio 

 

Nas margens cobertas de verde 

No horizonte com o teu castelo 

Na estrada onde se perde 

Tristezas sonhos do velho do restelo 

Junto de ti  

Sorrio 

 

Vagueo pelas palavras perdidas 

Das tardes tão bem passadas 

Tento sarar algumas feridas 

Que me queimam e estão repassadas 

Junto de ti 

Sorrio 

 

O peixe desapareceu 

E com ele a faina de outrora 

Quem foi que enriqueceu 

Para voltar a tirar água da nora 

Junto de ti 

Sorrio 

 

Neste velho Marinheiro 

Onde me sento e sinto 

Esta brisa e soalheiro 

De um Mendes que minto 

Junto de ti 

Sorrio 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

G R I T O

 


Grito que é grito de fome ou de raiva

Do coração ou na busca de pão

Continua a ser de dádiva

E sem satisfação

 

Doi por dentro

Queima por fora

Não é passatempo

E soa a qualquer hora

 

Fome raiva e sofrimento

Chuva que cai atravessada

Tudo foi em detrimento

Quem manda e é empossada

 

Fugi de mim mesmo em  momentos

Cavalguei em loucas pelas crias

Agora sigo sossegado pelos tempos

À beira-mar em noites frias

 

Chorei lágrimas salgadas

Estremeci ao sentir a tua voz

Muitas preces revogadas

Ou simplesmente um porta-voz

 

Grito o mais alto possível

Para ouvir a minha agonia

De um ser bem desprezível

Que anda por aí em plena via

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Olhar distante...

 


Olho o castelo imponente e majestoso

Com uma lágrima no canto do olho

Nos meus sonhos vejo como está airoso

Mas de repente sinto o restolho

 

Do alto das suas ameias

Pombos bravos revoltam sem medo

Fazem círculos sobre lírios das areias

E voltam depois ao seu rochedo

 

Mais além depois dos campos

Entre salgueiros e canaviais

Um adormecer com os santos

E o reviver os lindos arraiais

 

O sol ao longe se vai pondo

Descendo no horizonte lentamente

Aqui estou eu quando sonho

E amar a terra somente

 

O rio esse é o meu pranto

A paz que tanto me alivia

Minha vida meu espanto

Dos momentos que convivia

 

Vagueando por este meu Portugal

De norte a sul e mais além

Basta a fortaleza conjugal

Para que me encontre bem

ENTRE MAR...