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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Os dias mais longos...frios


A morte bateu à porta, num dia de tanta agonia.
Era tarde, nem sabia, se tinha ido o dia.
Magoei, eu sei, sinto isso dentro de mim.
Mas espero que não tenha sido mesmo o fim!
Nesta casa quadrada, quase sem nada,
Nem ventos nem gemidos, eu, só e a morte.
O calor já aperta, ou certo já nem isso me afecta.
As camas vazias, a sala desfeita e cozinha aberta.
Preso por fio na esperança da vida, um grito abafado
Sabendo eu que ninguém me ouvia nem o cão que latia.
Na rua sem gente, sem nada, sem sorriso, um lamento.
Os dedos tremem, o coração chora a toda a hora, sem saber o que fazer.
É a maior espera, aqui neste meu porto de braços atados e palavras de medo.

Que amanhã me perca….
Ou que alegria volte...

sábado, 28 de março de 2015

Raiva!!!


Criei dentro de mim uma ilusão
Um momento uma satisfação
Que só eu poderia vencer
E nunca pensar em ler
Para lá da emoção
Sim as certezas absolutas
Dos que nunca erram
Mas das minorias atrozes
Ou mesmo ferozes
Hoje no momento
Não sei se lamento
Dou razão
Para sua satisfação
É isso a emoção
Do momento
Do lamento
Sei lá do outro alento
Do momento

Sinto-me só

sexta-feira, 20 de março de 2015

Ir até ao fim do mundo...


O mundo que nos segue e por vezes foge

As letras que outrora escrevíamos em vão

O sonho que se perdeu na luz da escuridão

O sabor a lima ou a limão

Acentua o gosto no céu-da-boca

Ilumina-nos por entre as trevas

Descalço percorre este caminho

Gritando ao caminheiro

Que com o seu cajado não pára

Segue no seu passo ligeiro

De azul talvez mais claro

Bate no céu lá ao longe

E desaparece na curvatura

Da longa vida da saudade

São sabores

Odores

Tristezas em mão alheia

Que escrevo para ti meu amor

Que nos vamos ver à hora da ceia

E sentados nessa mesa cansados

Das caminhadas deste agora nosso Alentejo

Fitamo-nos aos quatro e abraçados

Adormecemos doutra maneira

Não

De alguma maneira vamos sair

Vamos sim um dia fugir

Nem eu sei bem para onde

Pode ser para o fim do mundo

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pai






Sinto a tua falta das palavras
Do saber que incutias em todos nós
O olhar meigo pelas madrugadas
Dos teus netos chamando pelo avós

Barba branca aparada
Andar inconfundível
Uma dor que não sarava
Das percas duma vida

Lutaste e foste vencido
Pela maior das dores
Mas nunca esquecido
Pelos filhos e admiradores

Como o tempo passa
E a todos nós nos consome
Urge ele que já escassa
No leito frio dorme

Nas noites longas em família
Que passávamos de tempos em tempos
Algumas vezes parecia homilia
Outras já estávamos muito lentos

Fazes falta isso tenho a certeza
Sinto falta pura das verdades
Hoje dia de tristeza
Porque sinto muitas saudades.

Aurora!!!






Senti dentro de mim um aperto
Da escrita agonizada do aldrabão
Que de nada saber se diz informado
Roubando a palavra a cada mão

É o mundo na quebra dos sentidos
O que se ouve sem se saber
Dizem-se muito unidos
Mas caem de maduros ao amanhecer

Palavras que o tempo nos consome
Dizeres que o povo outrora respeitava
Olhares amedrontados com fome
Daquilo que se disse e não se amava

Partiu
Deixou no ar o sofrimento de criança
Levou consigo a esperança
Mas não vai voltar

sábado, 26 de julho de 2014

Francisco...


Francisco seu nome
Nasceu de um amor profundo
Corre ao sabor do tempo
Entrou de sorriso neste mundo
Criança de pensar rápido
De fingimentos matreiros
De olhares doces
E de birras constantes
Algumas delirantes
Outras assim a assim
Francisco
Olhar em ziguezague
De corridas repentinas
Respostas rápidas
E muito sabidas
Dos seus quereres
Seus gemidos
Seus afazeres
Partindo tudo
Descobrindo
Enfim

Viver

Alentejo...


Entre os girassóis deste monte
Em que me sento e descanso
Com o meu amor de fronte
Por vezes com algum pranto

Pranto da distancia da família
Olhar fixo no firmamento
Um pensar em Inês ou Lucília
Por vezes até sinto um chamamento

Lá longe onde o sol cai
Onde a estrada se deixa de ver
Aparece a imagem do pai
Que já nos deixou de atender

Passos de miúdos na varanda
Sorriso de orelha a orelha
Nesta terra de boa fama
Onde os bois se pegam de cernelha

Sois da meia-noite em terras bravias
Ares madrugadores
Bando de cotovias
Barulhos de tractores

O vento passa lentamente
Como se quisesse parar
Esse ar benevolente
Ouve-se o seu assobiar

Cantigas de outros tempos
Da faina dos campos
São momentos
São encantos
São lamentos
Sãos descansos

sexta-feira, 7 de março de 2014

Solidão


Perdido no meio do tempo
Solidão atroz desalento
Vou para outra margem
Sim vou só e sem bagagem

Dentro de mim levo o sofrimento
Perdi-me entre o alimento
Levo o amor de tantos vós
E uma ferida atroz

Queria viver para sonhar
Ou sonhar para viver
Mas nada disso consigo
Mesmo Tu sendo meu amigo

Necessito de tempo
Tempo que jamais voltará
Necessito de todos vós
Parto ao deus dará

Não sei o que dizer
A vida é um tormento
Seja ela uma vida de sofrimento
Ou mesmo uma vida de desalento

Dinheiro aos potes
Pequenos como todos vós
Não tenho calotes
Mas uma ferida atroz

Parto sem deixar rasto
Necessito de morrer
Quem sabe para voltar viver
E comer um melhor repasto

Solidão
Num país que me destruí-o
Que me viu nascer
Afinal morrer é isto mesmo

Quero gritar da minha janela
Mas a voz empregada no horizonte
Nas imagens da minha infância
Nem força para olhar o monte

Quero partir mas até isso tenho medo
Não de mim mas dos que ficam
Pequenos e desamparados
Azuis e castanhos

E amigos
Perdoam-me
Forças que partem
Alentos que se invadem
Tristezas vividas
Sinto-me só rodeado de tantos outros
Trabalho para que se a tristeza é isso mesmo
Amigos
Inimigos
Nem sei bem por que será
Que a vida afinal é como é
Um dia deitado outro de pé
Grito esse abafado

Até ao sopé

domingo, 22 de setembro de 2013

Liberdade


Esperança que tinhas partido
Na volta das ondas
Voltas-te
O mar esse revolto em si mesmo
Deixa-te entrar no porto de abrigo
O teu olhar no firmamento prevê tempestade
Mas a esperança essa voltou
Numa chegada existe sempre uma partida
Depois da guerra vem a paz
E sem ela nada fica como antes
Nada fica capaz
De se lembrar dos amigos
Das escadas e dos vãos
Do pão
Até da paz
Essa que partiu o coração
E não te satisfaz
Um sorriso aparece na madrugada
Mesmo que seja fugazmente
Até ser um dia lembrada
Sim a paz
Botas enlameadas
Roupa encardida
E uma fome atroz
De liberdade

Vento de Outono


O vento esse que sopra dentro de mim
Que me transporta as alegrias
Deixando-me ver uma estrada sem fim
O vento esse que sopra dentro de mim
Parte galhos afugenta pensamentos
E leva-me para praias desertas sim

Os salpicos da bruma branca gelada
Na minha cara encarquilhada
Navego neste mar
Nesta encruzilhada

Tu
Que ficas aqui ao meu lado sem dizer nada
Adormeces nos pensamentos
E te perdes por momentos
Despertas sem saber onde estás
Tu
Aqui mesmo ao meu lado
Entre o mar e serra

Aqui mesmo deste lado

Amanhecer


Criei dentro de mim um abismo
Não o do Torga mas um só meu
E ainda hoje eu cismo
Foi a aventura que deus me deu

Terras de cores e cheiros tão diferentes
Gentes que ainda hoje me lembro bem
Foram momentos que ficaram pendentes
Para que um dia as visite no além

Desço os degraus no escuro desta madrugada
As crianças permanecem dormindo
Os pássaros esses rompem pela alvorada
Faz-se dia e espero que seja um dia lindo

ENTRE MAR...