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segunda-feira, 1 de março de 2010

Menino...




Sem se saber o bem que faz
Sentir a presença do ser
Sem saber o mal que traz
Sentir a distância de não se ver

Nestes caminhos escondidos
De palavras aos solavancos
Ficamos muitas vezes ofendidos
E perdemo-nos nos flancos

Sorriso que tarda em chegar
Memórias que atrofiam a mente
Tenho saudades em te abraçar
E fugir deste lugar somente

De malas aviadas pela mão
Lá vamos os quatro pelas ruas
Jamais vamos sentir a solidão
E os medos das noites escuras

Volta depressa para o meu lado
Abraça-me com muito carinho
Pareço um miúdo mimado
Quero andar ao teu lado devagarinho

Hora certa...




Catorze e trinta desta tarde de Inverno
Nem os sinos tocam
Nem sinto o coração
O calor aperta
Desperta
Amarra
A mente e o vento que passa
Dando a mão
Num simples abanão
Passaram alguns minutos
Ou talvez não
Para que tenha pressa de terminar
Este pequeno poema de ilusão
Ou talvez não
Afinal que horas são

Tarde calma...




Carrego no meu regaço o vento da vida
E desço de mansinho pela colina descalço
Desejo que seja um caminho só de ida
Porque dentro de mim sinto um percalço

Incómodo transtorno ou uma simples contrariedade
Não desejo ficar sem este pensamento
Desejo sim sentir que tudo isto é mesmo verdade
E tudo é fruto da minha mente

Desço à terra onde os mortais se reúnem
Em praças sem mordaças sem olheiras
De noites mal dormidas onde todos se unem
Junto às casas brancas soalheiras

O menino corre pelos seus pés de Liberdade
Sem saber que o trovão está para vir
Como vai ele bonito pela idade
E como é bom sentir o que estou a sentir

Tarde que tarda a chegar ao seu lado
Para que possamos ambos brincar
Por vezes até fico um pouco amuado
Mas não passa de um simples olhar

Ilusão...





Quero sair deste marasmo onde me encontro
Onde palavras vagueiam sem saber o seu poiso
Onde nomes me absorvem a mente
Onde gritos de madrugada me acordam
São lamentos são ais são tudo menos mente
Mente que adormece neste leito bonito
Aconchegado pelo teu calor
E acorda com o gemido de menino
Mente que deseja sentir o rebento
Que a passos largos caminha à nossa frente
E em toques subtis apresenta as formas da vida
Quero adormecer sem os pensamentos
De acordar novamente com eles na mente
São tantos os nomes os locais de proibição
Que esta pequena mente fica descontente
Por ainda ser de noite uff é uma ilusão.

Assobio...





Corre nessa estrada onde o vento assobia
E deixa para trás esses dias de agonia
Vai de olhar além onde a imaginação
Dentro de ti a vê tão bem com admiração
Vestida de branco de branco celeste
E por minutos saboreio um beijo que me deste

Fico-me por estas palavras com algum sentido
Mas que decerto me vai ficar bem contigo
E depois de olhar a tua beleza
Fico bem isso é uma certeza

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sem-Abrigo



Um farol indica-nos o nosso abrigo
Rodeado de gaivotas a voar
Encostado às rochas um sem abrigo
Que deseja unicamente sonhar

Um sonho que se perde no tempo
Uma miragem do seu deserto vazio
Bastava uma sopa para seu alento
Neste dia que se torna tão frio

Puxa o fumo de cigarro meio apagado
Enrosca-se no cobertor de notícias recentes
Quem dirá que um dia será abafado
Pela solidão e por muitas mentes

Ali mesmo ao nosso lado
Como figura transparente
Será envelope selado
Ou uma dor que não se sente

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vistas para Mar



Olho para lá da vidraça o sol aparece
Aquece o meu corpo a minha alma
Nada mais triste me aborrece
Que tardes quentes nesta calma


Mas tenho em mim a linda visão
Dos três que me esperam lá fora
Depois vamos todos dar a mão
E ver-o-mar a ir-se embora

Pela areia vai correr ele descalço
Em remoinho como pássaro perdido
Olhando para janela no enlaço
De ver um sorriso miudinho

Toma o Norte terra da mãe
Porque de lá vem bom vento
Feliz dos que dizes que tem
Pai mãe avós e alento

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Palavras vazias




Esperar que apareça para não ficar só
Escrever mais rápido para lá da casa
Por vezes até sinto dó
Como um tiro que se dá em plena asa

Dói que dói esta dor sentida
De me encontrar em segundo plano
Mas um dia vai sarar esta ferida
Com a morte coberta com um pano

Sem lamentos nem dores infinitas
Lágrimas que deixam de brotar
Que sinto que são deveras esquisitas
Mas o tempo as levará a sarar


Por vezes dou comigo entre as escritas
Dos dizeres que nada dizem
Algumas palavras proscritas
Como rede no mar a bater

São as bocas do mundo
Defendidas até ao infinito
Um dia vai mesmo ao fundo
Este barco e sem um grito

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Batimento...



Sentir no coração a vida de uma criança
O respirar ofegante de uma caminhada
Depois adormecer sem a lembrança
Do que passou de madrugada

Chegou finalmente a casa consolado
De voltar a ver os seus brinquedos
Com o seu ar imaculado
Dormitou já sem medos

Ambos olhamos pelo sono dele
Sentimos o respirar a voltar
Um banho novo refrescou a pele
E aos seus sonhos voltou

Ali mesmo do outro lado
Embalava o seu irmão
Que com festas e miminho
Me segurava na mão

Por vezes vinha para minha cama
Para se sentir mais seguro
A noite era então calma
Dormia como um pêro maduro

Chegava a manhã e logo saltava
Para o sofá ver a bonecada
Comer isso sim ele demorava
Tudo lhe doía era uma facada

Chá bolachas e desenhos animados
Como eles alimentam a sua alma
Todos nós já fomos mimados
Vamos lá é ter calma

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vento....que me levas



Vento que sopras na minha cara despida
Deixas ruas amargas perfiladas ao luar
Numa terra onde o rio tem uma só ida
Correndo devagar levando-me ao mar

Cadeiras amontoadas sem dono
Num jardim onde houve em tempo flores
Na porta do hotel um mordomo
Que olha para longe com dores

Será do tempo dos modos ou da vida
Que aquele olhar são serras afiadas
Olho mais longe e vejo-a comovida
Com as flores ali amontoadas

Meu Deus que cego sou de olhos abertos
Que frio tenho nestes momentos
Vou deitar-me que a hora é de apertos
Já nem sinto mais os lamentos

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lágrima de criança...



O frio que me passa nas veias
Dentro deste quarto semi nu de gente
Lá no fundo por cima de um tubo algumas teias
E seis camas pequeninas cheias de gente

Sorrisos nos dão sem saber o seu mal
O sofrimento que estão a passar
Uns de pé outros a andar tudo é igual
E os pais choram ou ouvi-los chorar

Trocam-se olhares pela sala
Mas ninguém avança um sorriso
Entra o médico abre-se ala
Até vem a dor do siso

Hora da partida e outros ficam
Beijos e abraços levam o frio
Mas em nada modificam
A dor que se leva para junto do rio

Vagueamos na cidade sem rumo
Porque a vontade era de voltar
Vou para o seu quarto ver se o arrumo
Estar lindo quando ele chegar

Meu filho choro lágrimas de alegria
Misturadas com a tristeza de estarmos sós
Por vezes é mesmo agonia
Mas a sorte nunca vem só

(dedico ao nosso filho)

ENTRE MAR...