AS TENDAS NÃO SE CALAM.
Poema de resistência contra a repressão policial e a ascensão do fascismo.
Erguemos tendas sobre o
chão,
onde a esperança ainda respira,
onde a revolta ganha voz
e a liberdade não se retira.
Não temos armas, temos
palavras,
não temos muros, temos união,
temos a força de quem resiste,
temos o mundo no coração.
Mas vêm as botas pela
noite,
os capacetes, a repressão,
os escudos contra os nossos corpos,
o medo imposto pela mão.
Arrancam tendas, rasgam
sonhos,
batem em quem ousa ficar,
mas não há bastão nem algema
que faça uma ideia calar.
E a direita fascista
avança,
vestida de ordem e tradição,
vendendo ódio como esperança,
chamando pátria à exclusão.
Querem-nos pobres,
querem-nos mudos,
querem-nos de joelhos no chão,
querem que o medo seja lei,
que a obediência seja razão.
Mas cada tenda
levantada
é uma bandeira contra o terror,
cada corpo que ali permanece
é uma semente de outro amor.
Não esquecemos outras
noites,
nem os fantasmas da ditadura,
sabemos bem que o fascismo
cresce onde morre a ternura.
Por isso ficamos nas
praças,
por isso voltamos a cantar,
porque a rua é de quem a vive,
não de quem a quer silenciar.
Podem levar os nossos
panos,
podem cercar-nos de violência,
mas nunca conseguirão prender
a dignidade e a consciência.
Se o fascismo ergue a
cabeça,
a resistência ergue a voz.
Se a polícia apaga as tendas,
mil outras nascem entre nós.
E quando a manhã romper
sobre as cinzas da repressão,
hão de encontrar-nos novamente,
de pé, unidos, em união.
Porque a liberdade não
se implora,
nem se entrega à autoridade.
A liberdade constrói-se em luta,
com coragem e solidariedade.
E enquanto houver quem
resista,
enquanto houver quem diga NÃO,
nenhuma bota fascista
será dona deste chão!

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