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terça-feira, 11 de março de 2025

Fado de Montemor-o-Velho

 


Nas margens do rio, onde o castelo vigia,

Montemor-o-Velho, terra de nostalgia,

Onde o passado e o presente se abraçam,

E as águas serenas histórias traçam.


O rio, espelho de tempos idos,

Reflete o castelo, guardião dos sentidos,

Em noites de lua, seus muros sussurram,

Lendas e amores que nunca se apagam.


Montemor, terra de encantos mil,

Onde o fado encontra seu perfil,

Entre o som das guitarras e das vozes,

Canta-se a vida, suas dores e suas fozes.


No alto do monte, o castelo altivo,

Observa o rio, seu fiel cativo,

Corrente que flui, levando saudade,

De uma terra que vive na eternidade.


O fado ecoa nas vielas estreitas,

De Montemor-o-Velho, histórias perfeitas,

E o rio, cúmplice desta canção,

Leva consigo a alma e o coração.


Montemor, terra de fado e de pranto,

Onde o rio e o castelo são encanto,

Sob as estrelas, em noites de luar,

Canta-se o fado até o dia clarear.


E assim, na voz dos fadistas, se eterniza,

Montemor-o-Velho, em sua brisa,

O rio do castelo, a lenda viva,

Que pelo fado, eternamente cativa.

sexta-feira, 7 de março de 2025

FIGUEIRA DA FOZ

 

FIGUEIRA DA FOZ

 


Ó mar vasto da Figueira da Foz,

Onde as ondas dançam ao sabor do vento,

Teus mistérios e encantos, onde está a voz,

Cantam histórias de um tempo lento.

 

No horizonte distante, o sol se põe dourado,

Refletido nas águas, um quadro sublime,

As gaivotas voam em um céu encantado,

Enquanto a brisa suave o espírito redime.

 

Serra da Boa Viagem, guardiã serena,

Teu verde abraça o azul do mar,

Caminhos que serpenteiam, uma cena,

De beleza que nos faz sonhar.

 

Os pinheiros sussurram segredos antigos,

Nas suas copas altivas, um murmúrio constante,

E os trilhos revelam, a cada passo, amigos,

Paisagens que cativam a alma errante.

 

Entre mar e serra, um laço sagrado,

Um encontro de forças, um elo profundo,

A Figueira da Foz, com seu encanto amado,

É um tesouro guardado no coração do mundo.

 

Assim, celebro-te, mar e serra em união,

Com versos que fluem como as ondas do mar,

E na tua beleza, encontro inspiração,

Para eternamente te amar.

domingo, 7 de abril de 2024

ESVOAÇAR...

 


Deixei-me ir ao sabor do vento

Até encontrar a minha praia

Fiquei sentado um momento

Não sei onde anda a minha saia


Escuto a melodia que me encanta

Com o cheiro tão característico

É sabor a mar e maresia

Depois virá outro petisco


Ao longe esvoaçando o céu

Aves deste lindo paraíso

Espero tirar-lhe o véu

E beijá-la com um sorriso

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

O assobio do vento que passa

 

O vento que lá fora assobia

Não traz nada simplesmente frio

No beiral aconchega-se uma cotovia

De asa de lado estará ferida

A criança essa fica comovida

 

Pelo olhar do passarinho

Ali mesmo ao seu lado e sem medo

O irmão que olha para lá do firmamento

Esse sim com outro pensamento

 

Que tarda em chegar

Não podendo desejar que o sino toque

Vai-se deitar

 

Enroscado sinto um gemido

Finjo que não ouço por detrás da porta

Como é que não se ouve tão perto

Se não fosse o mandar calar

Pelo facto de o telefone tocar

 

É um velhinho coitadinho que deixa de respirar

A história de sempre

O coração esse não para de chorar

 

Por isso nas palavras que se juntam

Que se trocam que se misturam

Não se pode fingir que tudo está calmo

Que tudo está preso

 

Nem o vento pode soprar

Porque do outro lado está a tocar

Em cima da mesa fria

O prato intacto dos sabores

Que pelo olhar se comia

Mas que a vontade deixou os odores

 

Partir pela frincha da janela

E nem tentou segurar porque afinal

O sino não tocou e nem o cão ladrou

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

PORTUGAL NOS DIAS DE HOJE

 

Portugal

Não sei para onde vou

Nem sei que caminho tomar

Pela pobreza dos políticos estou

Pronto para fugir por este mar


Cinquenta anos governados

Que mais vamos apanhar

Por estes dois finórios

O comboio vai abalar


Que cor vou escolher

Que papelinho vou riscar

Olho para um já estou a ver

Não tenho vontade de votar


Irei eu escolher

Em consciência afinal

Que partido vai perder

Para não me sentir mal


Hoje apareceu o radical

Nada de bom nos vai trazer

E o mais certo e viral

É um dia desaparecer


Nesta vida sem horizonte

Onde tudo está mais caro

A saúde está a monte

Está tudo mais claro


São cunhas e telefonemas

Ninguém sabe quem discou

Devíamos cobrir de penas

Alcatrão quem nos pisou


São todos uns aldrabões

Paga povo desgraçado

Vais ficar sem os tostões

E mais uma vez enrascado


Porque sabem onde esconder

Escolhem juízes e procuradores

Está tudo apodrecer

Serão depois os seus dadores


De leis feitas à maneira

Aqui D’el rei

Do Minho ao Algarve

 


A GERAÇÃO QUE AOS FILHOS TUDO DEU

 



quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Sofrer ou viver...

 



Deixo fugir a flor da minha vida

por não conseguir olhar mais além

por sentir que afinal está perdida

por nenhures e do que lá vem

não se vive quando se parte

e não se parte para viver

deixemo-nos de rodeios

é um simples sobreviver

e nesta terra de olheiros

é fácil ficar-se a saber

que tudo o que se faz não somos pioneiros

porque sofrer não é viver

Partida ou chegada...

 


Uma flor

na hora certa

um violino perdido

um copo cheio de sonhos

uma mão pintada

arvore que deseja renascer

nesta minha alvorada

de fato negro

de partida

ou de chegada

Um Abraço...

 


Um livro aberto sobre um mar bravo

Uma gaivota procurando um porto de abrigo

E sobre a areia fina um cravo

As amarras de um pobre mendigo

Creio em tudo e no seu nada

Nas palavras cruéis que eu próprio escrevo

Nunca por nunca direi que não és amada

Porque isso é como encontrar um trevo

No olhar distante que a vista não alcança

Desenho um mapa para puder fugir

E por momentos sinto uma pequena dança

Que um dia senti ao não me deixares cair


Hora de partir...

 


Chegou a minha hora de dizer adeus

Pelas injustiças tantas vezes praticadas

Tenho pena por todos e pelos meus

Mas a vida não padece pelas horas dedicadas

Inveja podridão ou simples reclusão

Quero partir para não mais voltar

Deixa-me sair pela minha mão

É isso que pedes para desertar

Cambaleando salto degrau a degrau

Até chegar a minha liberdade

Vou apanhar um comboio ou mesmo uma nau

E voltar para minha cidade

A minha praia...ou não.

 


Sentado neste banco onde o sol me beija a cara

Cerro os meus olhos e deixo-me ir

Ao abrir revejo um barco que não pára

E nem bilhete tenho para poder sair

 

Preso a estas amarras invisíveis

Que o tempo mordazmente me ofereceu

São manhãs tardes e noites terríveis

Que só eu sinto quando fito o céu

 

Levanto-me e devagar percorro ao longo da praia

Sentindo o vento e olhando o esvoaçar das gaivotas

Depois sento-me novamente no banco antes que caia

E reparo que ao longe alguém atira algumas pelotas

 

Sinto o meu olhar meio enevoado da idade

E desenho algumas figuras nas nuvens

Afinal esta não é a minha cidade

E uma lágrima escorrega mirando os jovens

ENTRE MAR...