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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Hora de partir...

 


Chegou a minha hora de dizer adeus

Pelas injustiças tantas vezes praticadas

Tenho pena por todos e pelos meus

Mas a vida não padece pelas horas dedicadas

Inveja podridão ou simples reclusão

Quero partir para não mais voltar

Deixa-me sair pela minha mão

É isso que pedes para desertar

Cambaleando salto degrau a degrau

Até chegar a minha liberdade

Vou apanhar um comboio ou mesmo uma nau

E voltar para minha cidade

A minha praia...ou não.

 


Sentado neste banco onde o sol me beija a cara

Cerro os meus olhos e deixo-me ir

Ao abrir revejo um barco que não pára

E nem bilhete tenho para poder sair

 

Preso a estas amarras invisíveis

Que o tempo mordazmente me ofereceu

São manhãs tardes e noites terríveis

Que só eu sinto quando fito o céu

 

Levanto-me e devagar percorro ao longo da praia

Sentindo o vento e olhando o esvoaçar das gaivotas

Depois sento-me novamente no banco antes que caia

E reparo que ao longe alguém atira algumas pelotas

 

Sinto o meu olhar meio enevoado da idade

E desenho algumas figuras nas nuvens

Afinal esta não é a minha cidade

E uma lágrima escorrega mirando os jovens

domingo, 24 de setembro de 2023

BAILADO...

 


O bailado na sua magnitude

Por aves belas e airosas

Às vezes nós com atitude

Transportamos também rosas

 

Entregamos ao nosso amor

Brancas amarelas e vermelhas

Para que ela sinta o odor

Do amor e não das tristezas

sábado, 23 de setembro de 2023

MAR...

 


Mar que navego sem medo

No descanso deste novo dia

Vai ser sim o meu segredo

Que há muito que não via

 

Mil cores e odores pairam no ar

E neste mar do meu encanto

Sinto-me quase a navegar

Qual não será o teu espanto


sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Voar...

 



Queria saber voar

Para subir como Ícaro

Nunca mais voltar

Sim voar de braços abertos

Planar nos meus sonhos

Ouvir sifónia nada em concreto

Simplesmente voar

E lá do alto voltar e voltar

Como se tivesse perdido o norte

Mas com alguma sorte

Aprenderei a voar

Quem diria

Que este sonho

Se concretize um dia

De uma outra maneira

Dentro de um avião

Segurando a tua mão

Sim porque voar

Não sei

Mas sonharei

Porque não paga imposto

Daqui El-Rei

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Sonho II

 



Retirei-me do meu sonho a correr

Ou talvez mesmo sem saber

E da tela sais-te formosa

Tão bela e airosa

Furiosa ou talvez não

Era apenas ilusão

Ainda estava a dormir

Queria ver-te a sorrir

Mas fugiste tão depressa

Que eu também fui nessa

Voltei a adormecer

Afinal queria mesmo era te ver

                                                                     Luiz Pessoa

O teu olhar...

 


Sentir o teu olhar mesmo que distante

Saborear os beijos mesmo que seja miragem

É um amor isso sim constante

De versos loucos de rimas e bobagem

 

Julguei um dia ter um cavalo negro

De tão negro como a noite escura

E todos os dias o reintegro

Como fosse água da fonte pura

 

Nas dunas da nossa praia

Passeio devagar ao sabor do vento

Mas ali estás tu para que não caia

E parar este imenso sofrimento

 

Alma que chora porque deseja chorar

Lágrima que caí porque deve cair

E é neste imenso mar

Que ambos vamos partir

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Será...

 


Um passo de cada vez para ter sorte

Olhar inquieto pelo que te rodeia

O mundo esse anda sem norte

Com guerra fome e tudo o que odeia

 

Nos versos que escrevo com sentimento

Lavo a minha alma no meu pensamento

Mas tenho bem certo neste momento

O amor que existe cá dentro

 

Será

O que quer que seja

A música para os meus ouvidos

Será

Decerto o desejo de partir

E levar-te nos meus braços

E ambos vamos a sorrir

Será

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Caminhos...

 


Fui devagar neste longo caminho

Nesta vida que sempre abracei

Algumas vezes estive sozinho

Mas nunca por nunca desertei


Depois foram os filhos

Os gatos que nunca tive

Nunca me meti em sarilhos

Onde quer que estive


Amigos mais que muitos

Outros infelizmente partiram

Alguns isso sim foram tontos

Mas esses também sorriram


Nas manhãs algures por Bragança

Aos pardais íamos a passear

Pa lá com toda a cagança

Para cá tristes e sempre andar


Formiga de asa em cabaça de abóbora

Ratoeiras perfiladas e de aço

Subíamos o lameiro

Era assim o dia inteiro

Sempre no mesmo passo


Quando...

 


Quando acordamos e cansados nos sentimos

Quando abalamos e sozinhos vagueamos

Quando fugimos em algures ficamos presos

Quando despertamos e o sonho termina

 

Quando sentimos a música da nossa alma

Quando os livros esvoaçam em pleno dia

Quando as letras se unem na melodia

Quando termina este dia e volta a calma

 

Quando nos sentimos verdadeiramente ativos

Quando olhamos em paz o firmamento

Quando os filhos adormecem e nós vivos

Quando adormecemos finalmente

QUASE SONETO...

 

Nasci em terras entre montes verdes

Pinheiros castanheiros águas frias

Muito novo parti p'ra lugares

Dentro Portugal e além fronteiras

 

P'lo norte  neve frio  boa gente

Abalei depois terras de Espanha

Quando voltei cortei cabelo rente

Num dia calmo entrei pela manhã

 

Fiz um caminho longo sossegado

Terminei com agrado algum tempo

Agora neste Algarve assentei

 

Novas vistas contigo ao lado

Filhos crescidos no sabor do vento

Mas ainda decerto que não ficarei

ENTRE MAR...