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sábado, 10 de julho de 2021

Poema com pigmentações.

 

Escrevo porque sinto essa vontade

Dos sentimentos e dos sabores da vida

São as palavras que movem a Liberdade

E sinto que não foi uma vida perdida

Tenho amigos de todas as cores de todas as raças

Sinto que fui bafejado pela gratidão

Liberto-me isso sim destas mordaças

E atiro as correntes ao chão

No sorriso do cansaço

Num final de dia de exaustão

Na nossa mesa ou no regaço

Julgo que cumprimos a missão

Somos todos diferentes

Somos todos pela mesma causa

Alguns muitas vezes ausentes

Mas sentimo-nos bem nesta pausa

Deus pátria e família

Desígnios de outros tempos

Vai agora um chá de tília

Esperemos por novos ventos


Nota: Dedico ao Grupo de Trabalho do Adriana


domingo, 28 de março de 2021

UM DIA MAIS QUE OUTRO

Nota do Autor

Cheguei a mais uma meta e espero que outras mais venham, cheias de amizade e saúde para ver crescer os meus filhos.

Os dias vão passando e quem diria que estaria neste momento a escrever para todos vós. Sim porque com as maleitas que por aí andam cheguei a pensar que ficaria pelo caminho.

São nada mais nada menos que sessenta anos de muitas experiências que como compreendem ficará para minhas memórias. 

Hoje aqui onde Portugal termina e o mar começa recordo uma terra que fica exatamente no oposto que em muito marcou a minha adolescência Bragança.

Mas é do Lorvão que vos venho falar, uma aldeia escondida entre montanhas pejadas de castanheiros, pinheiros e eucaliptos terra que me viu nascer.

Escrevo para vos contar uma pequena história, leva-me aos anos 60. Devíamos estar em 1967/68, a benjamim da família rondava os três anos e nessa altura resolveu fazer testes para paraquedista e ao lançar-se da janela de um primeiro andar dos altos, ficou roxa, azul e sei lá mais que cores que os demais ficamos todos a olhar sem saber o que fazer. Infelizmente dessa altura só ela ainda está entre nós, sei que amanhã a minha mãe me vai ligar como sempre o fez durante muitos anos, dizendo: - “Filho foi ontem não foi?” onde esteja vai ter que esperar mais algum tempo.

Tantas e tantas histórias e historietas que tenho para contar, mas fica para outro dia.

Deixo isso sim um poema.

 

UM DIA MAIS QUE OUTRO

A manhã está calma muito calma

Nas estradas vazias o vento sopra

E o mar esse no horizonte se espalma

Pelas frechas ele assopra

 

Quem diria que este seria o meu dia

Aqui no quinto virado para esse meu mar

E longe de todos os que eu aplaudia

Resta-me a satisfação de poder sonhar

 

Foram tantos e tantos dias de alegria

Que num poema não cabe tudo

Claro que em alguns eu sofria

Mas considero-me um sortudo

 

E agora aqui sentado vos escrevo

Neste dia muito feliz

Desejo um simples trevo

De quatro pétalas que condiz

 

Amanhã outro dia

Diferente do anterior

Enfim simplesmente sorria

Paz e muito amor

sexta-feira, 19 de março de 2021

PALAVRA

 


Na palavra

A força desta amarra que nos sustenta

O vento sopra

E em parte é ele que nos alimenta

Quem és

Dentro dessa redoma refugiado

Vais de lés a lés

Sinto-me um pouco angustiado

Mas não vês

Nesse teu sorriso vitorioso

Que perdemos

Se não lutarmos em uníssono

Quem seriamos

Se fosse tudo tão fácil

O que diríamos

Amém

Pai

Tantas coisas que ficaram por dizer

Só sei perdi muito em não conhecer

Os teus sonhos e muito do teu ser

Nos passeios pelas palavras ao entardecer

 

Por vezes refugiávamos nesses molhados

Recordações que ficávamos amargurados

Para quem perde alguns dos seus amados

Sabíamos que não voltaremos a olhá-los

 

Foram horas perdidas as que estivemos ausentes

Naqueles anos em Bragança bem quentes

Onde todos sofremos e ficamos doentes

Na alma no coração e nas mentes

 

Partiste sem te vergar

Senti isso no teu olhar

Por isso por tanto te amar

Perdoa-me um dia vou voltar

 

Hoje tão perto da solidão

Do cerrar os olhos e sentir o coração

Gostava de te dar novamente a mão

Enfim serve de alento esta oração


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

DEIXEM-ME ENVELHECER

 [Em versão Covid-19]

DEIXEM-ME ENVELHECER

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,

Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonito para alguém,

Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,

Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,

Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,

Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,

Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,

Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,

Com a certeza de que cumpri meus deveres e minha missão,

Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,

Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,

Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,

Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,

Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,

Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,

Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,

Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,

Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,

Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,

Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,

Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,

Quero saber envelhecer, ser um velho consciente e feliz!!!


domingo, 16 de agosto de 2020

Partiu *

Quando a lágrima aparece sem saber de onde vem

E no cerrar dos olhos tempos lindos aparecem

A dor invade o coração por se perder alguém

No seu abrir todos eles desaparecem 


Vida cruel que temos de enfrentar

Ruas a pique que nos deixam cansados

Olhares perdidos no mar arrebentar

Filhos que ficam com saudades e calados


O sino toca três vezes e dá a tristeza

E nos seus intervalos sente-se amargura

De quem será do outro lado se reza

Ouve-se zumbidos de alguma ternura


Partiu


Deixou palavras que nos encantam

Sorrisos perdidos em noites de harmonia

E pelas ruas árvores que se levantam

De uma poda em dias de sinfonia


Aí doença atroz que nos aflige

Aparece pela noite calada

Entranha-se sem saber onde

E dobra-nos pela madrugada


Partiu


Sem aviso sem nota de rodapé

Sem o olhar sem nada nem ele ficou de pé

Mas ficou o seu legado o seu amor a sua ternura

O recordamos como Homem com grande fervura

Bem Haja


*Carlos Lucas 16/08/2020


terça-feira, 23 de junho de 2020

Além bem longe...




Uma imagem surge desfocada no tempo
Remorsos dos anos quem sabe sessenta
Tento que se lhe leve com o vento
Esta poeira que nunca mais assenta

Um filho rebelde com a sua rebeldia
Olhar tão terno que sou incapaz
Quem sabe se algum dia
Nem que seja quando tenha paz

Nos seus rasgos de pinturas
Que herdou da sua avó
Sinto neles muita ternura
E por vezes se me dá um nó

Vivo sempre a correr
Como se fosse uma maratona
Mas os sonhos me fazem sofrer
E memórias antigas vêm à tona

Quem me dera parar o tempo
Quem me dera ser o seu pensamento
Quem me dera um sorriso por dentro
Quem me leva este sofrimento

O vento esse que entra de mansinho
Pela janela virada para o mar
Batendo na roupa devagarinho
E na minha cara me faz suar

Dizem que vem do deserto
Com esse brilho cintilante
Quente agreste aqui bem perto
Olho o céu e vejo-o tão brilhante

Um passeio para arrefecer
Com vistas para este mar
É um fim ao entardecer
Viagem que me veio chamar

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Um dia diferente...



Um dia diferente entre outros tantos
De muitos dias diferentes antes do tempo
Em que deixei de sonhar sobre tantos pontos
E outros que deixei de lado ao sabor do vento
Voltei entre paredes confinado desse tempo
Que me deixou a pensar em mim mesmo
Sim venho com mais alento
Que a vida dura quando dura e se parte sem dizer adeus
Mas quem sou eu entre os mortais com morte anunciada
Agora sem medo se alguma vez o tenha tido
Agora com mais esperança se a tivesse perdido
Agora acompanhado se é que estive alguma vez
Distante dos meus olhares mas juntos no coração
Solitários
Mas não desaparecidos

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Frio


Acordei da noite fria
Onde o vento assobia
E no horizonte acalmia
Me tentava dizer para onde eu ia

Desci pela rua despida de gente
Não via nada a minha frente
Deixei-me levar pela mente
Era eu o sol o vento e de repente

A música entoava
Sons de balada
Acordei

terça-feira, 19 de março de 2019

Outros dias



Fugiu o tempo de menino
Que descalço percorria as ruas estreitas
E ao longe mergulhava no rio limpo
Bebia e brincava ouvindo as modas das lavadeiras
Que risonhas coravam a roupa branca
Entre murmúrios inaudíveis para criança
Era o meu rio como o tratávamos
Onde o peixe fugia com a chegada da maré
E a água salgada se misturava nas minhas mãos
Do outro lado da vila a escola que tantas recordações me traz
O pião os botões aos molhos da minha tia
Os berlindes e óleo fígado de bacalhau uaauauu que dia
Ainda hoje ouço a cana-da-índia a bater no quadro escuro
As correrias de volta das oliveiras
E ao entardecer o jogo das escondidas numa praça cheia de gente
Ali mesmo o cheiro no ar das espigas de domingo
Que nos outros dias eram simplesmente sonhos
O jogo das damas dos mais velhos
O diário de Coimbra que passava de mão em mão
E o acender das luzes que indicavam o recolher
Caía em mim numa cama de penas onde me escondia
Nos dias que meu tio não adormecia
Eu caía …

Nota: 
Vila de Montemor-o-Velho
Rio Mondego
Escola Primária
Espigas doces

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ventos gelados...




Fui embora sem dizer nada
Estava frio do outro lado muito frio
Olhei para longe havia neve em camada
O vento esse sentia-se pelo assobio

As flores brancas das amendoeiras
Encostadas ao verde dos castanheiros
Eram as mais belas paisagens das beiras
Mas sempre me faziam lembrar os sobreiros

Água límpida gelada e cheia de bravura
Nestes socalcos graníticos
Como é bom sentir esta frescura
Esquecer por algum tempo os eucaliptos

Sentei-me fitando o horizonte
Uma águia-real lá longe esvoaçava
Procurando a sua presa de monte em monte
Fitou-a já não lhe escapava

Por momentos fechei os olhos e senti a sinfonia
Do vento entre as arvores percorrendo montanhas
Só aqui se perdia a minha ínfima agonia
Dos homens e das suas manhas

O sol flagelava-me sem magoar
Pela distância entre o mar e serra
Que permitia que o meu sonhar
Viria a morrer nesta terra

Pedra sobre pedra
Montanhas que fazem parte do meu País
Onde a liberdade nunca se perdeu
Foi aqui que eu sempre quis

Pertencer no meio de tudo o que ardeu
Terra cinzenta de cheiro queimado
Vozes agonizadas de um povo mal tratado
Risos dos lisboetas entrincheirados

Gritos de revolta e muito irados
Assobio e a montanha responde
Escrevo a agonia do meu peito
Portugal se esqueceu do meu leito

E vou só pela calçada desta ponte
Caio em mim dormindo neste quarto abafado
Numa noite como tantas outras que vive
No trinar duma guitarra e dum fado
Acordo e digo para mim estou vivo

ENTRE MAR...