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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Até breve..Alentejo



Parti
Levo no meu coração
Uma mão cheia de momentos
Afectos e muitos sentimentos
Nestes olhos já maduros
Não me recordo de tempos escuros
Parti
As almas vivas desse Alentejo
As suas gentes para lá do Tejo
Entre o Guadiana e o mar
Nestes momentos simplesmente sonhar
Parti
Mas decerto que vou voltar
Aos mesmos lugares ao mesmo altar
Pedral será sempre a catedral
Onde o cante e a degustação são fora do normal
Parti
Entre um choro de criança
Mas a vida é feita de mudança
Agora mais perto do mar
Volto a sonhar


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Chamas e chagas!

Queria tanto estar por perto para me sentires
Olhar-te nos olhos sem me veres
Sorrir para ti entre as nuvens
Num calor que tarda em partir
Vento esse que barafusta
Assobia em dias de agonia
Esconde-se pela noite dentro tímido
De madrugada por entre as frinchas da janela
Abraça-me no meu imaginário
Por tudo aquilo que sonho e não consigo
Dou conta em mim no mesmo sonho
A solidão
Lentamente estendo o meu braço
Sem te acordar acaricio o teu corpo
Enroscas-te sem medo
Adormeço
Quando acordo a cama está fria
Partis-te pela penumbra ainda escondida entre portas
Aguardo a qualquer instante um toque para me levantar
Eles ali bem perto dão mais uma volta na cama
E o dia está prestes a começar
O sonho esse partiu quando senti frio
Ficou o sabor do teu beijo
Que perdurará até ao teu regresso lá pela tardinha
Depois vem mais um dia
Somente a solidão essa se agarra aos meus ossos
Como carraça na pele do cão que há muito deixou de latir
O vento de Inverno que veio de mansinho
Para acalmar um verão extenso e calorento
Sim posso por enquanto sonhar
Mas não posso dizer ao Centeno
Para não me cobrar
A solidão
De uma mão cheia de nada
Do lado de lá da rua
Sem sorrisos nem mimos
O dia vai passar

E pela janela da sala espero

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O meu...

Palavras encostadas no vento
Brisa que me refresca a alma
Solidão que sinto por dentro
Nestas noites de calma

Não consigo sonhar
Porque ele foge da minha mente
E é esse vento constante
Vai-me dando força para caminhar

Sento-me e entro nos quadros que me rodeiam
Sai das águas pelo meio
E de moinhos de outrora
Para cair no abismo do alto da casa
E sonho mas o vento não deixa
Lá ao fundo a passagem secreta
Deveras aberta
Para me levar a parte incerta
É o vento na sua bolina
Nunca desaparece
E me azucrina

quarta-feira, 19 de abril de 2017

[Dream]


Correria por entre prados verdejantes
E uns quantos amarelados
Não muito distantes
Do outro lado da rua
Com roupa semi-nua
De lantejoulas pendentes
De curvas já decadentes
Duma vida dura
Mas sempre pura
Correria entre pensamentos
Doravante instrumentos
De política de contentamentos
Sem fim feliz à vista
Entretanto na dobra da esquina
Ali mesmo afinada
Tocava uma viola
Que me entrava no ouvido
E do outro lado zunia
Era um dedilhar acrobático
Não de um momento sabático
Ou tresloucado
Era simplesmente
Maravilhoso e adormeci
E na outra vida tinha asas
Asas brancas enormes
E voava sem fim
Um sonho que perdi
Logo que bateram à porta
Era o carteiro
Das boas novas
Uma carta com letras miudinhas
Todas certinhas
E lá dentro
A tristeza de um povo
Que vive para pagar

Sem poder chorar

quinta-feira, 30 de março de 2017

Avião


Como seria se eu voasse
Para tão longe para lá do imaginário
Se as minhas asas não se derretessem 
E a minha retina deixasse 
Se eu voasse
Os meus sonhos na palma da mão
Duma vida que terminou 
Um olhar bem diferente
Salto que não dei e findou
Se eu voasse
Iria sim descobrir o mundo
Agarrar-te pela mão 
E deixar-me cair neste abismo
De olhos fechados
E sem heroísmo
Se eu voasse... 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Quarenta e sete.


De manhã pela fresquinha
Nesta casa vazia e sem ti
Ontem estava tão quentinha
Hoje estás longe e nem dormi
Amanhã o sol voltará a nascer
Com nuvens negras pelo meio
Gostava tanto ver-te adormecer
Neste ninho que é o teu leito
Eles sorriem sem saber
Que a vida dá muitos saltos
Afinal tem mesmo é de ler
Para que ultrapassem os percalços
O sol a lua o vento a tempestade
Lidamos com eles todos os dias
Mas que todos sentimos é mesmo saudade
Vão longe os anos setenta
Das brincadeiras de criança
Mais perto dos cinquenta
Mas na alma muita lembrança
Foram tranças negras de certeza
Passaram a loiras
Outras improvisadas mescladas
E por vezes até doiradas
Na mesa uma vela acesa
Um prato despido de comida
No canto do olho uma lágrima
Que escorrega só com ida

Saudade

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Quando o frio aperta.

Quando o frio aperta.

Nesta cadeira gelada por dentro
Palavras tento encontrar de alento
Para lá da janela da sala
Onde o sol não queima
E o vento esse corta
Gelado impiedoso
Sem medo do medo
Somente só
Em terras distantes
Por momentos ausentes
E de certezas duvidosas
Do que ouvimos e sentimos
Para lá do sol
Cerro os meus olhos
E distancio-me da vida
E sinto a tua voz aqui
Que me dá a força
Eles no abc da vida
O sino toca entre muralhas empedradas
Com a história da nossa vida
Caminheiros e muitas vezes escuteiros
Entre laço e o apego à vida
Essa que jamais será perdida
Poderei dizer muito vivida
Subo as escadas e procuro o teu cheiro
Que ficou nos lençóis da nossa cama
Estamos a caminho de fevereiro
E lá fora começa aparecer a lama
 Sol esse endiabrado ilumina sem aquecer
Na soleira da casa o frio é de prever
Aguardo o dia pacientemente
Que o comboio apite
E o teu sorriso apareça


[só em casa]

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Último dia.


Corri de pés molhados na areia fina do meu mar

Senti dentro de mim o vento que bulia sem parar

E no olhar duma criança que já partiu

Tempo para ver os meus amores a respirar

 

Tantas e tantas ondas chocam sobre os meus pés

E continuou a percorrer este me país de lés a lés

E a palavra que se escreve ele não viu

Lá longe um dia descansará nos sopés

 

E na minha tumba contra a minha vontade

Na lápide que se deslumbre

Aqui se deitou nunca mais partiu

Um fogo, coração, uma alma que arde

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

[TU]



Fui-me embora descalço pela calçada
Numa noite fria como a de hoje
E nesta melancolia abafada
Bocejo respiro e vou para longe
Como seria se estivesses entre os meus braços
No aconchego do íntimo entre nós
Antes faço um retrato a lápis e com traços
Imagino nas minhas mãos todos os prós
De cara rosada e sorriso malandro
Chegas e vês no meu olhar
A falta de um abraço e de um encanto
Sobre a cama sentimo-nos sós
Do outro lado em seu leito aninhados
Dormem como se o mundo termina-se ali
Sem chatices tormentos nem ais
Esses que vencemos demoradamente
Para que tudo não tenha o mesmo fim
O frio esse pirou-se de vez
Desceu as escadas docemente
Foi pela bolina da madrugada
E desapareceu da nossa mente
Caí cerrei os olhos e deixei-me ir
Numa barca de outros tempos
Numa manhã de nevoeira como tantas outras
Mas diferente
Estavas aqui ao meu lado

E sorris-te

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Alentejo desaparecido


Na terra cansada
Onde a enxada fura com a força do homem
Os carreiros de cultivo que o consomem
Na terra já arada
Deixa para trás horas de ardor
Debaixo de um intenso calor
Na terra sem fim
Onde se adormece de cansaço

Com pouco de água no regaço

Mar dos sonhos


Fui para dentro de uma onda
E no sufoco da minha própria agonia
Queria seguir mas não podia
Porque todo o ar me faltava
O olhar se fechava
E eu ali no meio de tanta água
Vindo de dentro unicamente pedia
Que esta água me levasse
Para fundo e que tudo acabasse
Eis que sol entrou entre a espuma branca
Me abraçou
Deixando-me tão feliz
Sempre foi o que eu quis
E para lá das dunas
Sentado como nada fosse
Um menino brincava
Esperando a minha chegada
Agarrei-o e num abraço forte
Senti de novo a vida
Foi a minha sorte
Ele esperar por mim 

ENTRE MAR...