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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

JUS[TIÇA]



Carrego no meu peito a dor da solidão
Ajeito depois os dias conforme o tempo
Sinto ao longe alguém que me aperta o coração
E nestes momentos até sinto o vento
Sopra compassadamente batendo na ventania
Julgo que deste baile e desta bela sinfonia
Agreste pela distância e fria como a neve
Surge a luz do dia que para mim é o bastante
Mas perco-me nas palavras e nas suas sombras
E na contra luz sinto os ais dos que dormem
Que baixinho chamam por ti
Mulher de olhos molhados pela ausência
De cabelos esbranquiçados pelo peso do tempo
Através das dificuldades dos que erram
E que nos tornam peças de um xadrez de mármore
Morre-se por dentro de raiva
Dum Governo que não Governa
E de tantos e tantos que nos roubam a alegria
De estarmos juntos durante o dia
Palavras sons que por vezes nos saem da garganta
Rouca de tanto esperar e gritar
Pela justiça de um bem estar

segunda-feira, 21 de março de 2011

Mãos sem nada...



Com as mãos abertas ao vento
Sem esperança de mais nada
Sinto por dentro sofrimento
E a minha voz já esta abafada

Deixo-me ir no leito do rio
Nem sei bem onde vou amarar
Se estou na maré sigo o trilho
Caso contrário vou dar ao mar

Que esperanças posso eu dizer
Que lágrimas deixo eu cair
Seguro na sua mão a bem dizer
E tento em pequenos rasgos sorrir

Levaram-me tudo até a morte
Estas minhas mãos para nada servem
Há quem diga que é a nossa sorte
Não conseguir prever a sua morte

Não isso é pura ilusão
Que nos querem transmitir
Lá vai mais um safanão
Mais um sorriso e um mentir

O Povo fartou-se de sofrer
Deseja cortar as correntes
Deixar o barco correr
Dar poder às nossas mentes

Do outro lado vida melhor
Será do espelho do reflexo
Já nem nisso acredito
Sabem, deixem morrer.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Pé na areia no meu sonho



Criei uma imagem de pura ilusão
Onde aparecia uma criança
Toda vestida de branco
Com um pedaço de pão
Pão escuro do tempo perdido
Escuro de medo da sua própria ilusão
Criança de olhar esverdeado
Como os sonhos do meu coração
Estava descalça sobre areia
Areia fina que pisava com seu pezinho
Tão pequenino
Desse menino
A imagem se desvanecia com o sol aparecer
Afinal tinha dormido na praia
Nesta praia que era a minha ilusão
Acordei a tua mão na minha
Bem perto do coração
E esse menino de pezinho
Estava ali ao nosso lado
E junto à porta outro espreitava
Com o sorriso desdentado
Casa …afinal era ilusão
A praia a areia fina
E o pezinho no chão

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal…



Natal…

Junto da cama um novelo quentinho

Olho melhor quando me aproximo

O que vejo então uma mãozinha

Tão pequenina

Bem feitinha

É o meu menino

Todo encolhidinho

Como é pequenino neste Natal

Brancos da cor da neve quatro dentes

Dois de cada lado

Dorme que lá fora o frio aperta

E a fome está desperta

Por isso meu filho

Nos teus sonhos nada disso vês

Um dia quando votares escolhe bem

Porque nestes o mal já está feito

É Natal quem sabe se ainda voltarás a ter

Perdoa-nos…


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Contra luz



Na estrada solitária até ao monte
Ouço o chilrear pelo caminho
Um pouco de água daquela fonte
Onde em pequeno me saciava devagarinho

Queria acabar de sonhar
Cessar de fazer tudo ficar quieto
Talvez quem sabe tentar voar
Desse medo que o tenho por certo

Dói-me tudo essa dor de dentro
Que me consome que me flagela
Uns dias me dão muito alento
Outros deixam deitado na viela

Vagueio por esses caminhos sem desenredo
Pelos cheiros que um dia tão bem conheci
Mas olho à minha volta é só arvoredo
Aparece então a tua imagem que reconheci

Entre o suor que passeia na minha cara
Nos tremores de me perder nesta terra
Encontrei-te foi uma coisa rara
Levar-te-ei até alto da serra

Juntos olharemos a nossa volta
Este azul que ainda existe nos seduz
Será por estes lados que abriremos uma porta
Com vistas para o mar com muita luz

Um passeio matinal



Uma manhã como tantas outras
O vento sopra de mansinho
Eu devagarinho
Passeio sem norte
Não que me queira perder
Mas unicamente o facto de viver
Sinto essa necessidade
De correr devagarinho
Pelo caminho
Sem oposições
Nem travões
Eu e o meu vento
Seja ele forte ou fraco
Unicamente enamorado
Num único passo
Esse pode até ser compassado
Recorda-me alguém que desejo seguir
E que pelo facto de ser pequeno tenho de correr
Não que ele fuja
Mas pela pressa de o acompanhar
Esta manhã faço-o sozinho
Não vejo os pássaros da mesma forma
Nem as cores coloridas que sempre víamos
São mais negras desbotadas
E onde estão as pessoas enamoradas
Será que partiram
Ou simplesmente se esconderam
Para que se possa despertar
E continuar a andar
Que manhã mais sombria
Até parece domingo
Com esta brisa fria
Caindo por aí um pingo
Que agonia
Não cheira a nada
Perdi o olfacto
Que semanada
O carro apita e com razão
Vou pelo meio da estrada
E em contra mão
Tenho de parar para pensar
Mas nem isso eu desejo
Quero isso sim caminhar
Como se tivesse companhia
Mas quer o destino esta ironia
Voltar a casa onde todos me esperam
E todos vamos passear
Uns ao colo outros andar
Será que mais tarde me vou recordar
Destes passeios matinais
Ou destas tardes de família
O tempo o dirá
Porque hoje afinal e quarta feira
Não sendo dia de feira
É um dia normal

Do outro lado da janela

Uma pedra
Um risco
Um grito
Um olhar
Um sorriso
Um suspiro
De tanto gostar deste mar
De tanto gostar desta brisa
Uma festa
Um beijo
Um aconchego
Um suspirar
Um cochicho
Um abraço
De tanto gostar de ti
De tanto poder namorar


Do outro lado da janela
Esses olhares pequeninos
Que nos deixam embevecidos
Que nos deixam amar.

ENTRE MAR...