A chuva de mansinho pelo caminho se passeia
Descendo vagarosamente pela calçada
Da minha rua ali mesmo à saída da porta
Do lado de fora do coração que a suporta
As viagens de pequeno entre sonho e realidade
Pelos montes de castanheiros e musgo
Que nesta altura estavam pintados de verde
Na encosta do meu imaginário
Ali sim sentia-me na plena liberdade
Onde os deuses me falavam e num eco distante
O meu nome se ouvia
Lá ao fundo junto ao coreto onde brincava
Na ribeira onde os manéis apanhavam enguias
O Sol esse era o único que sorria
Olhei para sapatos de domingo
E o sorriso partiu
Afinal teria de descer à terra
E ouvir a voz de minha mãe